Minha escolha em parar de trabalhar fora e o custo desta escolha

Categorias: Depoimentos Mães

A minha escolha em parar de trabalhar fora não foi completamente planejada e desejada, mas aconteceu de uma forma tranquila. Minha saída do trabalho resultou em mudanças na dinâmica familiar e no corte de gastos geral. Hoje eu me sinto muito feliz por ter permanecido em casa, cuidando da rotina da família e podendo acompanhar meus filhos diariamente.

Quando o Pedro nasceu, eu não estava preparada para deixar meu cargo, meu alto salário e minha vida social, porque se tem uma coisa boa em trabalhar fora, é poder almoçar com amigos, jogar conversa fora e passar algumas horas sem o choro dos filhos, além do salário no fim do mês.

Eu me mudei para Barueri porque eu queria morar perto do trabalho e eu tinha a mais absoluta certeza de que ficaria muitos anos naquela empresa. Mas a empresa decidiu ser grande, muito grande e nela não cabiam mais determinados cargos e salários e eu fui trocada por um funcionário que custa metade do que eu custava. Confesso que durante muito tempo me chateei com isso, mas hoje quando ouço as pessoas falarem de lá, vejo que eu não poderia mesmo estar num ambiente daqueles atualmente.

Eu sabia desde a gestação da Olivia que não voltaria após a licença e com isso fui me preparando psicologicamente e financeiramente para não depender mais daquele salário. Nunca fui muito boa em poupar dinheiro e cortar despesas, mas me vi forçada a isso quando de fato recebi minha recisão e percebi que aquele era meu último recebimento formal.

Muitos ajustes precisaram ser feitos no orçamento, começando pela venda do carro. Tínhamos dois e agora temos apenas um. Ok nos viramos bem, mas em diversas situações o segundo carro faz falta, ainda mais com o marido trabalhando a 25 km de casa.

Optamos por manter a Val nossa ajudante em casa. Não pagamos apenas seu salário, como temos perfeita consciência que praticamente nenhuma outra família acolheria ela com os netos todo santo dia em casa, então temos uma responsabilidade não apenas financeira, mas também social e isso nos deixa completamente satisfeito. Fazer o bem e ser a diferença na vida de uma família nos enche o coração de gratidão. Além de ter plena consciência de que os cuidados da Val com a casa e os pequenos, mantém nossa sanidade.

Demorei a me adaptar com a renda menor em casa, mas aprendi que tudo bem, ter uma manicure mais barata que a do shopping, que meu cabelo pode ser cortado menos vezes ao ano, que posso ir num mercado mais simples e fazer pesquisa de preço de fraldas. Tudo isso porque antes, com o orçamento folgado, nunca precisei fazer e de fato nunca fiz.

Há dois anos que só compro roupas quando realmente é necessário, sapatos não compro desde a gestação da Olivia a não ser um par de havaianas. Minha carteira que costumava trocar a cada 2 anos, por puro consumismo, já está comigo há 4 anos e continua impecável, as bolsas que antes eram 2 ou 3, agora só ficou uma. As roupas que ficaram grandes depois de ter emagrecido e que antigamente seriam doadas, foram reformadas.

Eu adorava passear no shopping, sentar para tomar um café e comer uma fatia de bolo. Mesmo nunca tendo tido um armário abarrotado de roupas e sapatos, sempre gostei de comprar uma peça ou outra que via na vitrine e me agradava. Mas me dei conta que meu café, feito na cafeteira italiana que comprei numa lojinha de bairro, é tão gostoso quanto a da cafeteria, e que quando quiser um expresso posso reativar minha Nespresso e tomar um bom café puro. Também aprendi que comprar um bolo simples na casa de bolos do centro comercial da minha cidade, permite que todos em casa comam um docinho e que sai quase o mesmo preço da fatia vendida na lanchonete.

Shopping foi feito para gastar, da hora que você estaciona o carro até a hora que você vai embora, então deixo para ir quando realmente preciso ou quando marco um café com alguma amiga em datas especiais. Acreditem, isso me faz economizar em média R$ 200,00 ao mês no mínimo.

Troquei a Zara pela Renner. Depois que descobri que a roupa das duas é feita no mesmo lugar e que a Renner custa metade do preço, escolho as poucas peças que compro e pago um valor baixo. As blusas de tecido para o dia a dia da C&A são ainda mais baratas e se bem combinadas, ficam uma graça por apenas R$ 29,99.

Antes eu passava o dia na rua, ia e vinha quantas vezes me desse na telha, não sabia ao certo quantos tanques de gasolina eu gastava por mês. Atualmente a meta é que dure de uma semana a dez dias e as saídas são planejadas, assim como o dia de ir ao mercado e à feira.

Quando eu olho para os meus filhos e sei que estarei com eles todos os dias durante o almoço, na hora de ir para a escola e na hora que acordam, penso no quanto parar de trabalhar fora foi bom. Eu acredito que não existe tempo de qualidade suficiente que compense 10 ou 12 horas fora de casa todos os dias. Não acho que uma criança deva estar na escola mais tempo do que com um dos pais ou cuidador.

A maternidade exige muito de nós. É difícil criar filhos, preparar boas pessoas para este mundo horrível. Isso exige tempo, planejamento, sabedoria e novamente tempo, de relógio e de qualidade.

Temos um custo fixo alto em casa, mas pequenos ajustes já fizeram muita diferença e reduziram bem os nossos custos. A meta para 2017 é reduzir mais 20% e começar a poupar alguma coisa, além de fazer o blog render algum dinheiro.

Atualmente o mundo já consegue enxergar a mãe como a protagonista da vida de um filho e nesses dois anos em casa, passei da dona de casa que não faz nada à uma mãe que se dedica à família, aos olhos da sociedade cruel e julgadora.

Quer saber, eu adoro a vida que tenho tido nesses últimos anos, adoro poder fazer meu horário e amo não ter que engolir meia dúzia de sapos para me manter num emprego. Amo ter no blog o meu trabalho, mesmo que ele não me sustente (ainda) financeiramente. Amo poder ir buscar meu filho na escola, levá-lo ao mercado comigo durante o dia, fazer a Olivia dormir depois do almoço.

E por aí, o que mudou com a sua saída do trabalho?

4 comentários

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    Jaqueline disse: em 28.12.2016

    Poxa! Estou nessa fase…trabalho fora mas ficar com eles me traz um rendimento muito maior!

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    Muito interessante essa visão!
    Vai fazer um ano que larguei o emprego tradicional também e comecei a trabalhar de casa. Os meus motivos inicialmente foram mais simples. Porém notei que graças a isso tive uma aproximação muito grande com meus filhos. Em alguns meses estreitei laços com eles que antes levei anos para conseguir. Hoje estou mais feliz e satisfeito do que nunca.

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    Paloma disse: em 17.03.2017

    Eu fui dispensada da empresa que trabalha desde agosto ouve que a empresa teria algumas mudanças e eu não tinha perfil para o futuro da empresa.Juro que comecei a rir e meu coordenador me disse todos choram e você rir,ai responde a ele Deus cuida de mim.Não foi nenhuma ironia a um mês sofre um acidente ao fui atropelada não quebrei nada graças a Deus ,mas me machuquei muito.Sabe desacelerei eu comecei ver as coisas de outro não tenha tempo para minha família,só almoçava com minha filha aos domingos e olhe lá quando meu marido resolvia ir almoçar com a mãe e eu ia pois também queria almoçar com a minha mãe ai ele levava a nossa filha.Não vou mentir estou a procura de um emprego e até agora não surgiu,fico triste porque como tivemos que cortar custos afetou até as coisas que podia está oferecendo a minha filha .Ai chora porque estou desempregada,mas eu está perto de minha família todos os dias poder fazer a sua comida e vê ela raspando o prato e dizendo mamãe sua comida está uma delícia ?.Isto recompensa muito coisa minha filha tem 4 anos e ela é inspiração ela sempre pergunta se eu não vou para o trabalho e deixar ela e só chegar de noite.Eu ainda não.Estou aproveitando o máximo que posso este momento porque eu ainda não posso ter a opção de ficar sem trabalhar e cuidar da casa totalmente mas estou aproveitando enquanto posso.

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    Thayrlla disse: em 20.03.2017

    Achei mto interessante o post, hoje trabalho, mas me preparando para sair e me dedicar mesmo de verdade aos filhos, sei que estou fazendo a melhor escolha,

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