O sentido da vida depois da maternidade

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IMG_2526Há pouco mais de 3 anos me tornei mãe e a maternidade me mudou muito desde então. Uma das grandes transformações foi o intenso desejo de ser uma pessoa melhor a cada dia. Hoje eu penso duas vezes se o que vou fazer ou falar vai prejudicar alguém, também nunca mais consegui ver uma mãe sentada numa calçada qualquer das ruas de mundo louco sem parar e perguntar o que ela precisa de mais urgente. Algumas vezes até esqueci para onde estava indo porque fui a uma farmácia ou mercado comprar leite, mamadeira, fralda e outros itens de necessidade básica para alguma criança que estava na rua, junto de sua mãe e parecia faminta. Acho que atualmente o que mais fere meu coração é justamente pensar em quantas mães hoje choram por não saber se amanhã seus filhos terão o que comer.

Descobri uma paciência que nunca imaginei ter. Quando o assunto é filho, parece que a paciência em explicar, suportar o choro, levantar do sofá mil vezes porque o filho quer contar alguma coisa nova, nunca acaba (ou quase nunca).

Durmo um sono gostoso mas sou capaz de acordar só com uma respiração diferente no outro quarto. Já entendi que nunca mais dormirei como antes, nunca mais vou descansar plenamente depois de uma noite de sono, mesmo que não interrompido.

A privacidade se torna algo relativo e eu já nem ligo mais se tenho companhia para ir ao banheiro, se sempre que eu abro os olhos depois de enxaguar a cabeça, encontro um filho ou outro dentro do box de roupa e tudo. Não me lembro de um telefonema em casa que não tenha um som de fundo chamando mamãããeeeeee repetidas vezes te puxando pela camiseta e pedindo algo que você não pode dar naquele momento. Ainda assim consigo manter um diálogo coerente ao telefone, mesmo tenho TDA.

Já não me sinto menos interessante porque não assisto jornal e muitas vezes nem sei o que está acontecendo no mundo. Afinal a Peppa, Luna, Dora e Jake são muito mais interessantes de se assistir no jantar.

Não me importo mais se o sofá está organizado ou com as almofadas espalhadas pela sala. Afinal, é o melhor pula pula que as crianças tem em casa. Também não me desespero se um deles cai e bate a cabeça no chão. Acontece, faz parte da infância e do brincar livre. Respiro fundo e dou o melhor remédio que eles podem receber: beijinho de mãe, que cura tudo.

Eu achava que cozinhar era algo difícil e que nunca me habilitaria a passar horas na cozinha preparando algo bacana para alguém comer, mas a primeira coisa que aprendi a fazer foi purê que é o prato preferido do Pedro e que tem sido o da Olivia também.

Jamais imaginei que um dia deixaria minha tão amada profissão para trás, por acreditar que estar perto dos filhos é o melhor que posso fazer por mim.

Eu já sabia, mas agora que tenho filhos, valorizo e retribuo o quanto posso as verdadeiras amizades. Hoje entendo perfeitamente que o bom amigo não é aquele que faz tudo do jeito que eu acho certo, mas sim aquele que mesmo com seus defeitos e limitações e também conhecendo os meus, continua a caminhada da amizade e está por perto sempre que preciso.

Passo meses sem comprar nada pra mim, afinal não preciso de muitos sapatos e roupas, meus filhos também não. Brinquedos são os mesmos de sempre, as roupas se repetem com frequência e eu vivo muito bem com isso.

A minha vida tem menos supérfluos, menos sapatos, jantares e viagens. A minha vida tem mais amor, compaixão, paciência e disposição. Eu vivo em reconstrução, reforma ou que quer que seja, mas com a certeza de que a mudança é para melhor sempre!

O sentido da vida depois da maternidade muda.

1 comentário

  1. Avatar
    Paula Yai disse: em 20.04.2016

    E como muda, né ?
    Vivemos com menos, muitos dias vivemos no caos, com sono, em segundo plano, mas, é sem dúvidas o melhor que podemos ter , fazer e ser.
    Beijo grande.
    Parabéns pelo texto, pelo crescimento do blog e pelos filhos lindos.

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