Meu filho só queria colo

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IMG_4443Eu venho tentando ressignificar algumas coisas na minha vida e todas as vezes que minha mãe está em casa, eu me sinto mais motivada e tentar mudar pequenas coisas que lá na frente farão uma diferença enorme.

Para quem não conhece minha mãe, ela é muito organizada, faz 300 coisas ao mesmo tempo e cozinha que é uma beleza. Até aqui seria o paraíso se tudo isso fosse feito com tranquilidade e paciência. Já aprendi a me acostumar com este jeito apressado onde tudo é muito trabalhoso, cansativo e etc…

Quem me acompanha, sabe que tenho a Val que me ajuda com a casa e com as crianças, então minha mãe não precisaria passar o dia correndo para fazer as 300 coisas que ela costuma fazer. Esse é o jeito dela, respeito e entendo, mas venho tentando fazer diferente com o Pedro e com a Olivia.

Tenho vivido muitos momentos onde preciso escolher cumprir a agenda cheia de tarefas, que foram impostas por mim mesma, ou de aproveitar o tempo do jeito que ele pode ser aproveitado. Embora automaticamente estamos sempre correndo, venho fazendo um esforço diário para sempre dar a oportunidade à segunda opção.

Numa manhã qualquer, fui levar meu marido no trem, Pedro recém acordado e ainda de pijama, pegou sua sandália no quarto e disse que gostaria de ir junto. Fomos para o carro e nosso lindo garotinho descabelado, de chupeta e pijama, nos acompanhava muito feliz.

Ele ainda estava com sono, falou pouco mas tinha um semblante alegre. Papai se despediu e saiu do carro para ir ao trabalho. Por alguns minutos o Pedro chorou, virou-se e chamou o pai, pediu para que ele voltasse e sentasse ali perto dele. Papai não ouviu o chamado, estava a caminho da estação de trem e eu fiquei ali, com o coração despedaçado por ver meu filho chorar. Comecei a contar que todos os dias quando o papai dava o beijo e dizia que ia trabalhar, era isso que ele fazia, depois de um tempo acho que ele conseguiu associar que sair da porta de casa era o mesmo que sair do carro.

Voltamos cantando pra casa enquanto eu pensava em como é difícil ver nossos filhos chorarem por não ter capacidade de lidar com seus sentimentos, frustrações e a saudade. Como eu poderia ajudá-lo a compreender melhor a vida?

Assim que estacionei o carro Pedro disse que não queria ir para casa, me deu tchau e pediu que eu fechasse a porta. Como eu tinha me disposto a fazer algumas coisas no tempo dele, fechei a porta e saí de perto. Alguns minutos depois voltei ao carro e perguntei se ele já tinha mudado de idéia ele rapidamente disse: fecha a porta e tchau mamãe. Bem no estilo: sai daqui!

Alguns minutos mais e ele pediu para eu solta-lo do cinto da cadeirinha. Descemos, ele chamou o elevador e entramos. Ele apertou o botão que indicava o nosso andar e ficou cantando mais um pouco. A porta abriu, fui saindo e chamando-o para irmos para casa. Pedro andou até metade do elevador, na verdade deu apenas 2 passos e disse que não queria ir pra casa. Voltei para o lado dele e perguntei se ele queria trocar de roupa para descer e jogar bola. A resposta foi não e eu continuei dando algumas opções e ele continuou negando todas. Perguntei se ele queria fica no elevador conversando e ele disse que sim com a cabeça.

Fiquei pensando no tempo em que passearíamos naquele elevador caso muita gente resolvesse usá-lo, mas ele ficou parado ali na frente da porta da nossa casa. Papo vai, papo vem, canta daqui e dali, pergunto se agora ele já não gostaria de assistir um desenho ou pegar seu patinete para brincar. Ele não disse que sim, mas também não disse que não. Resolvi perguntar se ele gostaria de colo e ele respondeu imediatamente que sim, ele queria vir no meu colo.

Ele me abraçou tão gostoso e apoiou sua cabecinha confortavelmente no meu ombro, que eu nem me importaria de subir e descer caso alguém chamasse o elevador naquele momento. Abracei forte e disse o quanto eu amava dar colo para ele. Pedro apontou a porta de casa e lá fomos nós.

Assim que entramos em casa, coloquei ele no chão e ele me olhando nos olhos disse: obrigada mamãe e foi brincar.

Entre chegar na garagem e entrarmos em casa, passaram-se menos de 15 minutos. Neste pequeno tempo, consegui respeitar as vontades do meu filho.

Pedro não é um menino beijoqueiro e fã de colo, mas adora nossa companhia e vem demonstrando isso a cada dia. Neste dia especificamente, ele só precisava ser compreendido e acolhido. Eu me senti extremamente feliz por ter percebido e ter dado tudo o que ele precisava. Colo, um colo cheio de acolhimento e carinho!

Costumo dizer que as crianças não precisam de um quarto cheio de brinquedos, não precisam de gavetas abarrotadas de roupas e nem de programas caros. Crianças precisam de colo, de amor, de atenção. Tempo para poder significar as coisas que vê, que aprende, que conhece. Tempo que não pode ser contado no relógio.

De todas as coisas que ofereci, meu filho só queria colo! E que bom que eu estava ali, à sua inteira disposição.

5 comentários

  1. Heloisa Belém disse: em 05.10.2015

    Que lindo!!!!!! Faço o mesmo… respeito o tempo dos meus filhos…. e é muito gratificante ver q eles agradecem por vc respeitar o momento deles….amo muito tudo isso

    1. Viviane Dutra respondeu: em 05.10.2015

      Tenho tentado o mesmo, respeitar o tempo do meu filho de 03a. Às vezes, é tão difícil, pois tem crises de choro, qdo estou p sair p o trabalho. Como dói!

      1. Gabriela Gama respondeu: em 05.10.2015

        Viviane, tu já passei por isso um tempo. Eu queria me jogar da janela toda vez que ele chorava pedindo para eu não ir embora, mas agora está encarando melhor pois o tempo que passo com ele é sempre com muita qualidade!

  2. Gislaine disse: em 05.10.2015

    Ótimo texto, minha pequena de 2 anos e 9 meses gosta muito de colo, e eu me vejo cada vez mais na necessidade de desligar o piloto automático para dar a ela a companhia que precisa.

  3. Gabriella Del Corso disse: em 06.10.2015

    Me identifico muito em todas as postagens que leio aqui (não leio todas por falta de tempo).
    Mas fiquei muito triste com esse… Triste porque me achei a pior mãe do mundo! Por tantas vezes neguei meu colo! As vezes por falta de tempo outras por falta de paciencia mesmo! Trabalhar o dia inteiro fora, e poder ficar com a minha pequena somente a noite, faz com que eu me sinta assim… “A PIOR MÃE DO MUNDO”. Por diversas vezes me passa pela cabeça a ideia de desistir de trabalhar, dispensar a babá e cuidar da minha filha o dia inteiro! E poder educá-la da minha forma!
    Mas é tão dificil né? Por que??????

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