Maternidade e Pediatria

Categorias: Comportamento Mães

A Maternidade e Pediatria (ou seria a Maternidade X a Pediatria??)

Desde os meus seis anos de idade já falava que queria ser pediatra. Passei por uma fase de indecisão, querendo ser manicure ou caixa de banco, mas logo passou e ser médica sempre foi meu sonho. Cresci sabendo disso e sempre estudei para isso. Durante toda a fase da faculdade, nunca tive dúvidas, era até estranho, pois nada despertava meu interesse para outra área que não a Pediatria e assim eu fui… E aqui estou. Hoje numa fase profissional que sempre quis, cuidando dos pequenos de uma forma completa, com um vínculo delicioso que construo consulta a consulta com as crianças e suas famílias.

Como falei no artigo anterior, a minha maior especialização nesta área se iniciou em 2013, com o nascimento do Tiago. E, desde então, meu consultório é outro, minhas receitas são feitas de outro jeito (remédio de 6/6 horas: PROIBIDO!!), meu jeito de ver uma mãe é outro. Descobri o tal amor que dói, a vida selvagem, as angústias sem fim e o maior sentimento de gratidão que pode existir no mundo, o de ter um filho. Durante toda a gestação, cada vez que eu dava a notícia para minhas pacientes, era muito comemorado. Via o olhinho de cada uma delas brilhando e dizendo que agora eu as entenderia melhor ainda. Eu falava, com certeza, educadamente. Hoje, eu responderia: COM CERTEZA!!! Essa é a experiência mais transformadora na vida do ser humano e realmente, é só passando para entender o turbilhão e a intensidade dos sentimentos. Isso, nem a melhor formação acadêmica, título nenhum de especialista pode nos dar.

Outra coisa que sempre ouvia, era que seria muito mais fácil para mim, como pediatra, ser mãe, pois sempre saberia o que está se passando com meu bebezinho. Será?! Posso dizer que o meu conhecimento sobre os pequenos me deixa mais segura, o choro não me angustia tanto, eu nunca tive medo de pegar, de dar banho, mas acho que para por aí. A dúvida de saber se adivinhei o choro, se está com frio, com calor, se deixa chorar ou se pega no colo, é tudo igual. E também tive que passar pelos famigerados palpites!! Sim, nem eu escapei… Várias vezes, eu pergunto para o meu marido sobre o que fazer em determinada situação. Fazemos assim ou assado?? Ele me responde da seguinte maneira: se uma paciente te ligasse perguntando isso, qual seria a sua resposta? Ou seja, eu preciso sair do lugar de mãe para conseguir achar a resposta. E o contrário também acontece, quando quero examinar o nenê na hora do banho, fico fazendo diagnósticos para qualquer situação… Daí, é hora de ser só mãe, deixar o jaleco branco de lado. Acaba sendo um exercício quase que diário, mas que está se tornando mais automático com o crescimento dele. Mas o pior para mim mesmo é quando ele adoece. Esse rapazinho já me aprontou algumas e eu só posso dizer que foi muito, mas muito difícil mesmo. Muitos pacientes me perguntam se sou eu quem cuida do nenê quando ele fica doente. Coisas básicas eu acabo cuidando, claro. Mas quando o negócio é mais sério outro médico assume. Eu sou abençoada por ter uma tia, quase mãe, que é Pediatra. Ela, além de meu exemplo profissional, é a médica do Tiago. E eu amo isso. Levo para pesar, mostro carteirinha de vacinação e troco muitas figurinhas com ela.

De fato, o que não falta para uma mãe de primeira viagem, são histórias para contar. Tenho uma que acho que vale contar, já que é um tema que deixa muita mamãe chateada é a respeito da amamentação do Tico. O comecinho foi muito difícil, de verdade. Ele demorou para engrenar no ganho de peso e precisamos entrar com complemento, ao redor do décimo quinto dia de vida dele. Fiquei mal, me senti incapaz, mas quando a balança começou a subir, fiquei muito aliviada. E ele não largou o peito por isso. Seguimos em aleitamento misto por um bom tempo. E detalhe, a primeira mamadeira de fórmula foi numa madrugada, daquelas eternas, que o nenê não para de chorar por nada. Alguém já ouviu algo parecido?? Rs. E tem uma engraçada… O Tiago é bem gorducho, depois que começou a ganhar peso, ele turbinou e subiiiiu na curva de crescimento. Um dia, a moça que me ajudava a cuidar dele, estava lá embaixo no prédio e outra babá perguntou se o pediatra não ficava bravo que ele era tão gordinho!!! Ai ai ai…

Na gestação do Tiago, uma grande amiga me disse uma coisa que é muito real, que a maternidade iguala as mulheres, da faxineira da nossa casa à Kate Middleton. É tudo muito parecido mesmo. Os hormônios, os anseios, as angústias, o amor, as realizações… E assim vamos, com vantagens e desvantagens, como tudo nessa vida. Daqui um tempo, quero saber do Tico como é ser filho de pediatra. Ou melhor não??!!

 

Andrea Vaciloto – Formada em Medicina pela PUC-SP/ Sorocaba, em 2004, com residência em Pediatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP, de 2005 a 2007. Especialização em Infectologia Pediátrica pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP, de 2009 a 2011. Cursando atualmente o primeiro ano de Antroposofia na Associação Brasileira de Medicina Antroposófica/ ABMA – SP. Ex-plantonista do pronto-atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein Alphaville, agora em dedicação exclusiva em atendimento em consultório particular.

Mãe do Tiago, carinhosamente chamado de Tico, pediatra do Pedro e da Olivia.

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