Doar, um ato de amor!

Categorias: Depoimentos Mães
No dia em que completei 18 anos, tomei um mega café da manhã e saí calmamente para dar início a uma rotina que duraria por muito tempo. Fui doar sangue, isso mesmo. Doação voluntária!
Lembro até hoje como me senti orgulhosa por ajudar alguém desconhecido com um gesto tão simples e praticamente indolor.
Comecei meu dia sendo muito bem recebida no Hemocentro, e do começo ao fim, fui tratada com carinho e gratidão pelas pessoas que me atenderam. Me senti realmente importante neste dia. Depois da primeira doação, a cada 4 meses eu recebia um telefonema pedindo uma nova doação, e eu assim o fiz até mudar de cidade, quase 6 anos depois.
Quando cheguei em SP, tive um pouco de dificuldade para doar sangue, visto que os hemocentros eram longe e logo depois fiz diversas tatuagens (não é possível doar sangue tendo sido tatuado nos últimos 12 meses) e acabei deixando de fazer as doações. Algo que me incomoda até hoje, mas que deve mudar em breve.
Esse assunto voltou à pauta porque, durante a minha gravidez, ouvi uma meia dúzia de grávidas dizendo que armazenariam as células tronco do cordão umbilical dos seus pequenos. Algumas me deram milhões de razões para fazer isso, justificando inclusive, que seria falta de amor não utilizar os benefícios da evolução da ciência, e que com certeza me sentiria culpada caso meu filho tivesse uma doença grave, mas facilmente tratável com células tronco e não pudesse fazê-lo, por não ter tido cuidado o suficiente em armazená-las, mesmo que fosse a um alto custo.
Passei umas noites em claro pensando seriamente no assunto. Além de compartilhar com o marido, resolvi levar esta dúvida para a minha obstetra. Ouvi uma coisa que fez pensar muito e optar pela doação das células tronco do meu filho.
Ela me disse que achava muito complicada essa relação de obrigatoriedade ou de falta de amor quando o assunto é armazenar ou não células tronco. Muitas vezes a sensação que se tem, é que os pais ficam aguardando o momento crucial, onde os filhos ficam seriamente doentes e finalmente usam as células tronco para salvar suas vidas, justificando a decisão custosa que foi tomada pouco antes do nascimento do filho. Achei forte esta visão da coisa, mas isso me fez pensar mais algumas madrugadas…
Conversei com meu marido na época, assim como eu, ele achou que deveríamos doar em vez de armazenar, doando poderíamos ajudar alguém num momento difícil da vida. Como optei por ter meu filho no Hospital Albert Einstein, e já sabia que eles faziam tal procedimento, fui ler mais a respeito na página deles. A cada tópico me sentia mais feliz por poder colaborar. 
No dia do nascimento do Pedro, fui logo falando para responsável da internação que gostaria de doar o sangue do cordão umbilical dele. Ela prontamente mandou a pessoa responsável. Preenchi um questionário enorme antes de ir pra sala de parto.
Logo que o Pedro nasceu, a pessoa responsável pela coleta, já estava preparada para aproveitar todo o sangue possível. Para alegria dela e minha, o sangue do Pedro encheu duas bolsinhas, possibilitando ajudar até duas vidas. Comemorei com muita emoção, e me senti completamente realizada ao ver a gratidão no rosto da equipe de coleta. 
No próximo filho com certeza doarei novamente, e espero que meu depoimento sirva de inspiração para outras mamães!
Para maiores informações sobre a importância de doar e como doar, segue o link abaixo!

Deixe seu comentário