Otite e os atrasos de desenvolvimento

Categorias: Saúde
otite e os atrasos de desenvolvimento

Foto: Yrê Sales

Vamos falar sobre otite e os atrasos de desenvolvimento? Já escrevi muito sobre ambos os assuntos, mas nunca coloquei em um post só, os impactos das otites na vida do meu filho mais velho.

Pedro teve otite média aguda, aquela que dói, dá febre e é facilmente diagnosticada 7 vezes, no espaço de aproximadamente 2 anos. O que não sabemos é por quanto tempo ele teve a otite média secretora, que é silenciosa, não dói, não é facilmente identificada (infelizmente) e causa enormes prejuízos.

Quando identificamos a falta de audição no Pedro, ele já havia outros tantos prejuízos que não havíamos notado e que tratamos até hoje, 2 anos depois da cirurgia.

A falta da audição pelas otites, interferiu diretamente na fala. Quem não ouve não fala, é o velho termo que já não se usa mais: Surdo-mudo, na verdade é só surdo, a mudez é a consequência do problema primário.

Pedro falava muito pouco e chorava para quase tudo. Passou a isolar-se na escola e a brincar sozinho. Também deixou de experimentar texturas, sabores e fazer atividades de artes em sala de aula. Tudo isso porque a falta de audição, dificultou muito a integração sensorial dele e com isso todas as dificuldades citadas acima.

Quem não fala, não movimenta o rosto e com isso a hipotonia (falta de musculatura) labial, lingual e facial. Mastigar um pedaço de carne era um tremendo sacrifício. Tudo era muito cansativo para ele. Mesmo com tantas terapias, ainda hoje ele não tem prazer na mastigação e isso impacta no seu modo de falar.

Pedro fala tudo e compreende tudo, mas não foi sempre assim. Foi preciso muita fonoterapia para que ele adquirisse um vocabulário adequado e passasse a se expressar não mais através do choro e passasse a falar, ter voz ativa. Hoje ainda troca fonemas, e por vezes não consegue se expressar corretamente e ao ficar nervoso chora, chora muito.

Depois da cirurgia o Pedro passou a ouvir tão bem, que atualmente o barulho e o volume alto da Tv o incomoda muito. Ele já tolera lugares barulhentos, mas no início foi difícil sair de casa com ele.

As dificuldades de integração sensorial, acho que até aqui foi o mais grave, já não existem mais, ou se existem, não conseguimos mais identificar e não interfere mais na sua socialização, atividades escolares e alimentação. Mas foi preciso muito terapia e muito estímulo para que chegássemos até aqui.

Pedro é um lindo garotinho, doce e feliz, que vem sendo muito bem assistido há dois anos e que felizmente mostra progressos a cada dia, mas ainda tem uma longa caminhada pela frente.

Carta de um pai, aos profissionais que cuidam do seu filho!

Por que dizer tudo isso? Porque todos os dias, mães, tias ou avós, me mandam mensagens dizendo que seu filho não fala, não se desenvolve, faz fono e nada melhora. Quando eu começo a perguntar mais sobre cada crianças, muitas vezes descubro que a maioria delas nunca foi a um otorrino, nunca fez uma audiometria ou impedanciometria e já tem mais de 4 ou 5 otites tratadas sem grandes evoluções.

Sempre que me perguntam o que acho disso tudo, respondo quase a mesma coisa a todas. Um fono que trata uma criança que ela nem sabe se ouve, merece ser substituída por uma profissional melhor. Que um pediatra que acha normal uma criança ter tantas otites e nunca encaminha para um especialista, merece ser trocado urgentemente e que, um otorrino que ignora todos os sinais clínicos e se baseia somente em exames ou o contrário, merece também ser trocado.

Está cada dia mais difícil encontrar profissional de saúde dedicado e competente, infelizmente. Isso não se aplica somente ao SUS ou ao médico do plano de saúde, isso se aplica inclusive àqueles bem caros particulares.

Também existem muitas mães que por medo (cultural) da anestesia, faz de tudo para não operar o filho. O que estas mães não sabem, é que uma anestesia é muito menos perigosa do que as otites recorrentes que podem levar uma criança a óbito.

Não estou dizendo que devemos sair operando todo mundo, mas digo sim, que os fígado e o estômago também sofrem e muito com os inúmeros antibióticos e xaropes usados por meses e meses, bem como os corticóides. Portanto, é preciso avaliar a situação a longo prazo. Sim, já ouvi relatos de mães que não operaram seus filhos e que por isso, estes perderam definitivamente a audição.

O Google está aí para todo mundo ler, mesmo não sendo a melhor fonte, acho válido dar uma pesquisada nele algumas vezes, os artigos também estão disponíveis na internet, muitos em português mesmo. É muito fácil entender que a anestesia geral não é um bicho de sete cabeças que deve ser evitada a qualquer custo.

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