A maternidade não me completa

Categorias: Depoimentos Mães

Sempre que ouço minhas amigas dizendo que só depois da maternidade é que se sentiram completas e realizadas, fico pensando que não, a maternidade não me completa. Eu sou mais do mãe e, não é a maternidade que preenche todas as minhas necessidades, ou a única que me define e me realiza.

Não estou dizendo que não sou feliz na maternidade, na verdade é justo o contrário. A maternidade me permitiu rever a vida, repensar meus valores, fortalecer minha fé e descobrir o real significado do amor. Eu não seria quem eu sou, se não tivesse experimentado a maternidade, mas com ela também aprendi a valorizar muitas outras coisas à minha volta.

Dizer que a maternidade é a única coisa que faltava na minha vida, é como afirmar que aos 31 anos de idade eu já havia feito tudo, aprendido tudo, experimentado tudo, menos a maternidade. Como se nada do que eu fiz durante esses últimos quatro anos, além de cuidar dos filhos, tivessem valor ou significado.

Me formei recentemente em Teologia, uma graduação que começou no mesmo ano em que o Pedro nasceu e que só consegui concluir 5 anos depois e não em 4 como pretendia. Certamente meus filhos me motivaram a buscar conhecimento, a receber um diploma e tentar deixar um mundo melhor para eles. Ele foram boas razões, mas não foram as únicas. Eu não me formei pelos meus filhos, eu me formei por mim. Eu não viajei 74 km durante 4 anos para estudar por eles, eu fiz isso por mim. E que bom ter consciência disso!

Entendi que precisava cuidar (muito!) da minha saúde e isso direta ou indiretamente beneficiaria meus filhos, mas que eu precisava fazer isso por mim e não por eles.

Ao longo desses 4 anos, eu me perdi e me reencontrei, conheci meu melhor lado e o meu lado mais difícil, teimoso e exigente. Ao longo desses 4 anos, fortaleci minha fé, estreitei minha relação com Deus, com alguns bons amigos. Deixei a carreira que tanto havia almejado, mas não deixei por eles, eu deixei por mim.

Parar de trabalhar fora não significa ser só dona de casa!

Acredito que os filhos são capazes de reconhecer quando sua mãe está feliz ou não, quando ela está bem ou não. No meu caso, não basta “apenas” cuidar dos filhos e fazer 100% das coisas com eles a tiracolo ou somente por eles.

Eu preciso tomar um bom café em silêncio, eu preciso trabalhar vez ou outra, aprecio minhas tardes em boa companhia. Me sinto extremamente bem quando faço minhas unhas, quando caminho sozinha, vou à fisioterapia ou passeio em algum lugar. Isso tudo eu faço por mim e não por eles. Eu faço para me sentir bem, me sentir feliz, para recarregar minhas energias e dar conta da rotina diária que é bastante desgastante.

Quando eu cuido de mim e quando me sinto feliz, eu certamente sou uma mãe infinitamente melhor para o Pedro e para a Olivia. Respeito àquelas que espiram a maternidade em 100% do seu tempo, que nem se lembram como é ir ao mercado sozinha, ou simplesmente sair até a esquina sem filhos. Mas como eu já disse, a maternidade não me completa, eu sou mais do que isso.

1 comentário

  1. Rafaela disse: em 27.07.2017

    Boa Noite.

    Adorei o tema desenvolvido em A maternidade não me completa.
    Parabéns pela colocação das palavras. Penso a mesma coisa.

Deixe seu comentário