O mundo corporativo não serve para mães como eu

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O mundo corporativo não serve para mães como eu, mães que desejam ter mais tempo com os filhos. Que desejam passar um tempo do dia com eles, preparar sua mochila da escola, escolher a fruta que vai na lancheira lancheira, ajudar a vestir o uniforme.

O mundo corporativo não serve para mães, que não pensam apenas na qualidade do tempo, mas julgam importante a quantidade também. Mães que não querem mais, sentir aquele frio na barriga, ao avisar o chefe que o filho está doente e por isso, sairá do trabalho mais cedo.

O mundo corporativo não serve para mães, que dão mais importância ao tempo com os filhos, do que os inúmeros sapatos e bolsas comprados no cartão de crédito. Quando a mãe abre mão da carreira profissional, ela geralmente abre mão de alguns confortos, de alguns supérfluos, de coisas que são apenas dela sem interferir muito no orçamento familiar. Aquele dinheiro que a gente usa para comprar uma roupa mais cara, um cabeleireiro longe de ter um preço popular, a manicure semanalmente.

O mundo corporativo não serve para mães, que desapegam das coisas materiais, para cuidar de todo o resto que envolve uma família, uma casa e a rotina dos filhos no dia a dia.

Acho louvável que algumas mães, consigam conciliar, família, casa, carreira. Eu não sou essa mãe, porque eu não consigo passar dias e dias sem ver meus filhos, porque quando saio, eles estão dormindo ainda e quando volto para casa, eles já estão dormindo de novo. Acho que lá atrás, eu me via desta forma. Uma mãe equilibrista que dá conta de tudo e que divide seu tempo priorizando a qualidade sem às vezes conseguir quantidade.

Eu já fui uma mãe mil utilidades, malabarista e equilibrista. Hoje eu não consigo mais dar conta do mundo, ou ter um milhão de compromissos. Hoje eu sou uma mãe mais equilibrada, ponderada e muito, muito menos acelerada. Preciso tomar café da manhã com calma, preciso ir ao mercado à luz do dia, preciso ver meus filhos brincando pela casa.

Minha escolha em parar de trabalhar

O mundo corporativo não serve para mães como eu. Eu que jurei nunca deixar minha carreira de lado, justo eu, que disse que jamais conseguiria trabalhar plenamente em home office ou simplesmente não trabalhar.

4 comentários

  1. Hadassa disse: em 19.03.2017

    Lindo, obrigada! Vc escreve muito bem. Para mim faz muito sentido, penso sempre em sair do trabalho, sou a melhor colaboradora da empresa e a pior pessoa em casa, nao tenho tempo, paciencia, saco! Apesar do amor incondicional, sinto q estou deixando muito a desejar!

  2. Dayene disse: em 22.03.2017

    Esse texto me representa. Embora me sinta muito julgada pelas mães equilibristas que dão conta de tudo e pela sociedade que não entende minha necessidade de desacelerar, de curtir meu filho, de estar e ser presente. Eu sou uma mãe que optou por menos coisas materiais para maternar com amor, minha família feliz é o que realmente importa. Descobri, que preciso de pouco para ser feliz e isso me basta. Beijos de luz 😘

  3. sheila disse: em 25.04.2017

    E quando a mãe precisa do trabalho para o sustento da família, para colaborar na renda familiar? O mundo corporativo não combina com nenhuma mãe, e muitas delas não podem deixar a carreira para viver a rotina e esse amor diariamente e a toda hora.

    1. Gabriela Gama respondeu: em 25.04.2017

      Sheila eu entendo você e por 2 anos esta também foi a minha realidade. No entanto, escolhi um caminho onde as renúncias pessoais me permitiriam estar mais com meus filhos. Conheço mães que amam seu trabalho e não conseguiriam viver sem ele. Acho que trabalhar ou não é uma escolha muito pessoal, ou muitas vezes necessário para o bem familiar. O importante e enxergar-se feliz com o caminho escolhido. Bjs

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