Às vezes eu queria ser apenas filha

Categorias: Depoimentos Mães

Eu cresci, mudei de cidade, “dei certo na vida”, arrumei um bom emprego, depois fui para um melhor ainda e nesse meio tempo, às vezes eu queria ser filha. Só filha e nada mais. Filha para poder voltar para casa e ter uma comidinha esperando no microondas, filha para não precisar se preocupar com as compras de mercado, nem me preocupar com o mundo horrível que existe lá fora.

Mas eu só fui me sentir filha, depois que me tornei mãe. Quando Pedro nasceu, fui cuidada como filha, como há anos não acontecia. Me senti privilegiada por isso, me senti acolhida e acalentada com cada comidinha quente no prato, lençol recém passado na cama, suco fresquinho pela manhã.

Foi quando voltei a ser filha, que percebi o enorme amor que uma mãe é capaz de sentir, o quanto ela pode oferecer de si. Percebi e reconheci o amor de mãe e filha, compreendi o amor da minha mãe, aprendi a amar meu filho.

Minha mãe me ensinou que…

Como é bom poder reconhecer pequenas coisas boas da vida em nós, naqueles que amamos e por quem somos amados.

Virei mãe de um doce garotinho que me ensinou a ser uma pessoa melhor, que enche o meu coração de alegria e orgulho, que me fez querer ainda mais um segundo filho. Virei mãe de uma alegre e doce menininha, virei mãe de dois. Virei mãe em tempo em integral, virei mãe que trabalha informalmente. Virei a mãe do Pedro, a mãe da Olivia, onde muitas vezes deixei de ter nome, para ser apenas a mãe.

As vezes penso se em algum momento, vou me reencontrar como pessoa. Como aquela pessoa que eu já fui um dia, antes de ser mãe. Chego a conclusão, de que nunca mais vou encontrar aquela Gabriela, nunca mais serei a mesma. E que ótimo isso. Me tornei uma pessoa melhor com a maternidade. Me tornei uma filha melhor, uma amiga melhor, uma mulher melhor.

Ainda assim, às vezes eu queria ser filha, apenas filha.

Deixe seu comentário