Entre carrinhos e bonecas, entre o rosa e o azul

Categorias: Educação Filhos

Entre carrinhos e bonecas, brincam meu filho, a neta da nossa babá, o irmão dela e minha filha caçula. Entre carrinhos e dinossauros, brincam as meninas da casa. Entre panelinhas e fogão, brincam os garotos.

Toda criança tem suas preferências, de cor, de brincadeiras, de ritmo. Nenhumas delas sabe que o azul representa as coisas de menino e rosa, só serve para mulheres. Nenhuma dessas crianças acha que a cor da pele pode ser capaz de gerar guerra, ódio ou escravidão. Nenhuma dessas crianças nasce sabendo que há diferença entre raças, credos ou opção sexual. Todas essas crianças aprendem em algum momento da vida, aquilo que a sociedade impõe.

Cabe a nós, pais, mães e cuidadores, ensinar, orientar e educar nossos filhos para que eles quando tiverem sabedoria e consciência, formarem suas opiniões baseadas no respeito ao próximo e a si mesmo.

Minha filha ama dinossauros, adora carrinhos e caminhões. Meu filho já usou rosa, já fingiu lavar a louça e cozinhar no jogo de panelas lilás que a neta da babá ganhou. Isso define a opção sexual de cada um deles? Não, eu acredito que não.

Temos bons chefes de cozinha, ótimas executivas, pilotas de avião e excelentes enfermeiros homens.

Eu cresci subindo em árvores, soltando pipa e me arrebentando com um carrinho de rolimã. Minha cor preferida é o azul e por muito tempo tive o cabelo no estilo “Joãozinho”. Sou heterossexual e nenhum dos meus brinquedos ou brincadeiras influenciaram em minha escolha.

Eu não sei o que de fato define a preferência sexual das pessoas, mas posso garantir que não foi a camiseta rosa ou o a boneca da irmã. Também não foram os carrinhos ou as pipas.

Não devemos perpetuar a educação machista e quase opressora em que muitos de nós fomos criados. Um modelo que resultou em desigualdade de gênero, violência contra a mulher, disparidade de cargos e salários, não é um bom modelo para ser repetido.

Somos uma geração sedenta por conhecimento, sedenta por informação. Que sejamos a geração sedenta por mudanças, aquela que quebrou paradigmas, que reescreveu regras, que venceu desafios.

Sejamos nós, a geração do respeito, da tolerância, da compaixão, do acolhimento, da igualdade, do compartilhar, do aprender e do ensinar.

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