Para você que acha que palmada educa

Categorias: Desabafo Mães

para você que acha que palmada educaEste post é para você que acha que palmada educa. Para você que acha que a vida é muito dura do lado de fora e por isso precisa preparar seu filho para este mundo dando uma prévia do que é sentir medo, insegurança e desamparo. Para você que acha que seu filho vai ser um delinquente ou apanhar da polícia se não apanhar para aprender em casa. Isso foi o que li hoje quando postei um texto que fazia essa reflexão sobre a violência reproduzida e herdada de pais para filhos. Uma maneira bem didática do nos colocar para pensar sobre como estamos lidando com nossas dificuldades e as dos nossos filhos. Muita gente disse que estava descurtindo a página a partir daquele momento, muita gente defendeu a palmada como forma eficiente de educar.

Sinto muito, mas palmada não educa e não protege seu filho da vida lá fora. O que educa é diálogo, atenção, amor, cumplicidade, paciência, persistência e exemplo. Não, eu não quero dizer como você deve criar seu filho, e nem quero afirmar que existe um manual de conduta e nem vou entrar no mérito de que hoje existe regra para tudo. Bem, a ciência está a nosso favor e com ela as pesquisas, os estudos e profissionais especializados nos mais variados assuntos, inclusive em comportamento infantil.

A palmada ajuda sim, ajuda a conter o choro, a euforia, ajuda a aliviar nossas tensões, ajuda a mandar calar a boca, mas a palmada não educa, nunca educou. Apanhamos e estamos vivos, mas o que aprendemos ao termos apanhado? Eu quando apanhava, calava a boca por medo e não porque havia feito algo errado. Quando eu apanhava eu ficava magoada com a minha mãe que deveria ser minha maior protetora e conselheira, mas que por falta de paciência com minha hiperatividade e meu jeito questionador, virava a mão a fim de eu me calar e deixa-la sossegada. Não, eu nunca fui espancada, nunca fui cortada e nem esmurrada, mas eu me lembro do barulho da vara do pé de goiaba, da cinta, da mangueira e do chinelo, assim como me lembro das inúmeras vezes que apanhei, ganhei beliscões e puxões de orelha a fim de me conter, porque aquilo ali não era nenhum tipo de educação, era só um cala boca mesmo. Educação é conversa, diálogo, é perseverança, é explicar mil vezes, é tirar seu filho mil vezes de cima da mesa, é repetir mil vezes o que é certo e o que é errado, é usar a palavra não loucamente. Isso é educar, bater é outra coisa.

Eu apanhei até depois de adulta e resolvi sair de casa já que aos 23 anos eu havia amor, respeito e medo pela minha mãe, mas nunca consegui ter empatia, amizade ou vontade de sentar e conversar sobre a vida. Naturalmente, todas as vezes que meus filhos não obedecem, não param quietos ou choram por serem contrariados eu sinto vontade de soltar a mão ou de gritar e até ameaçar bater. Não eu não bato, mas às vezes eu grito e isso é horrível porque só me faz lembrar o que vivi na infância e não gostei, só me faz reproduzir aquilo que eu repudio, mas sim eu sei que tendemos sempre a reproduzir aquilo que aprendemos pelo exemplo. Educar é um ato de amor, bater é um ato de desespero.

Vai ter gente descendo a lenha nesse post só pelo título, vai ter gente dizendo que ninguém tem o direito de ensinar o outro como educar seu filho, vai ter gente postando: descurtindo 1 2 3.

Deixa eu te contar uma coisa, eu não sou melhor ou pior do que você porque entendi que a palmada não resolve a desobediência do filho, só resolve a nossa raiva. Eu não quero que você eduque seu filho igual eu educo os meus, também não quero travar uma guerra, apenas estou escrevendo aquilo que eu vivi e que acredito ser bom e ruim. Esbravejar, ficar com raiva de quem nos contraria, reclamar e ofender, só demonstra o quanto estamos despreparados para dialogar, respeitar e ouvir o outro.

O mundo é cruel, está bagunçado, cheio de espinhos e caminhos tortuosos. Se não pudermos garantir o abraço o aconchego e a compreensão dentro da nossa casa, como vamos esperar que nossos filhos sejam compreendidos lá fora? Como vamos esperar que diante de uma briga nossos filhos prefiram o diálogo à pancadaria, como vamos esperar coêrencia em vez de gritos?

Os filhos desta geração precisam de pais coerentes e não militares. Sim apanhamos, éramos educados e respeitávamos nossos pais desde muito cedo. Mas será que o respeito era respeito por entender o que era errado ou era medo de apanhar de novo?

A gente erra todo santo dia, a gente aprende com os erros e não é feio admitir isso. Feio é achar que a vida não muda, não se transforma, que novos aprendizados não servem, que nem tudo que fizeram conosco deve ser replicado aos nossos filhos.

O post bacana que compartilhei e que fui muito criticada você pode ler aqui: Seu filho precisa apanhar?

7 comentários

  1. Raquel disse: em 09.08.2016

    Bom isso para mim é um desabafo eu não sei lidar com às birras queo meu filho faz ele está muito bem brincando derrepente chora a motivo grita pergunto oq está acontecendo ele não me responde às vezes isso acontece às 3 da manhã ai eu não resisto perco a paciência acabo batendo nele realmente não resolve mais tbm não sei oq fazer preciso de Conselho

    1. Gabriela Gama respondeu: em 09.08.2016

      Se seu filho acorda chorando e gritando no meio da madrugada provavelmente ele tenha Terror Noturno, algo comum entre as crianças e que ninguém tem culpa, é preciso paciência para que a criança se acalme e volte a dormir. Sim crianças gritam, batem e mordem porque não sabem lidar com suas emoções. Nenhuma criança consegue verbalizar claramente o que sente e por isso chora tanto ou grita tanto. É difícil, muito difícil mas vai respirando fundo que uma hora dá certo!

  2. Paula Yai disse: em 10.08.2016

    Nossa, faz tempo que não comento. Leio todos os posts, daqui, do face, mas parar para comentar faz muito tempo que não faço, mas sim, esse post tem exatamente essa função, fazer vc parar e pensar.
    Sim, eu dou palmadas, eu grito, faço tudo contrário do que queria que fosse, mas não acho que isso funcione. Eu apanhei muito, mas muito POUCO, minha mãe não vivia gritando, mas sempre foi firme, MUITO. E funcionou. Quando precisou e eu fui muito desafiadora pra ela, ela foi direta, me enfiou um tapa na cara, doeu, funcionou, mas sei que ela fez aquilo pq estava no limite dela.
    Logo eu sou o exemplo de que nem tudo replicamos com eles, as vezes é desespero, é raiva, é falta de controle emocional, e sim, eu assumo que tenho tudo isso, mas assumo também que não tem funcionado.
    Acho que o assunto caiu em boa hora, me.fez pensar, me fez parar. E vc que é hiperativa e sofre de deficit de atenção, como eu, sabe da dificuldade que temos em parar, analisar.
    Não estou dizendo que resolveu, que me curei da minha loucura, rs, mas me fez pensar no que estou fazendo, e isso é um puta passo. Acho que já valeu.
    Vou me esforçar mais.
    Assim como tantas de outras mães precisam, eu também precisava desabafar. Não está fácil, mas eu sei que vai melhorar.

    Beijo beijo

  3. Mara Borba Del Santo disse: em 10.08.2016

    Poxa Vida. É a décima vez que me envolvo nesse tipo de assunto nos blogs afora….
    Tenho um filhotinho de 8 anos e NUNCA bati nele, nem tampouco gritei. Falo, falo, falo, ensino, explico, mostro, dou exemplo, mas NUNCA bati e se Deus quiser nunca o farei.
    É muito simples entender isso, conheço uma pessoa que apanhava muito quando criança, hoje é um B…a de um homem. Sem personalidade, medroso, e que transferiu os maltratos que levava da mãe para a esposa.
    Vamos a minha infancia. Meu pai nunca nos bateu, NUNCA, e tudo que eu fiz de correto na minha vida foi para não desponta-lo, afinal eu sempre pensava “poxa ele é tão legal com a gente”. Ao contrario de minha mãe que pelo visto adorava dar palmadas e nunca resolvia nada, muito pelo contrario, eu e minha irmã maquinavamos planos contra ela. Ou seja, apanhar gera revolta.
    Outro ponto, eu tenho uma empresa com 10 funcionarios. Passo um nervoso do cão certos dias, e posso bater neles?? Óbvio que não. Eu seria presa, denunciada ao ministério do Trabalho e tudo mais. Agora, bater em adultos não pode?, mas bater em crianças pode?
    Quando meu filho era pequeninho e eu dizia que nunca bateria nele, todo mundo ao meu redor, ria e dizia: “ah deixa ele chegar nos 3 anos pra voce ver”. Pois bem, graças a Deus meu pequeno tá com 8 anos, e como ele mesmo diz sempre: vendendo amor que ele recebe do papai e da mamãe.
    Outra coisa ainda, essa historia de dizer que TEM que apanhar em casa pra saber o que é certo e o que é errado, eu digo uma coisa: eu sei que droga é errado e nocivo à saude sem nunca ter experimentado. Por acaso alguem tem que ser usuario de drogas pra aprender???
    Esse povo que bate em criança, na minha opnião tem raiva de si e do mundo.

  4. Katiuscia disse: em 10.08.2016

    Eu também acho que palmada não resolve nada! Causa raiva, medo e culpa, a criança acha que fez algo terrível, e na verdade na maioria das vezes nem sabe o que fez. Eu tenho um pequeno trovão de 1 ano e 4 meses, e ele me tira do sério às vezes, também já gritei e me arrependi. Eu era espancada quando pequena pelo meu pai e vi meus irmão serem espancados também, hoje nem tenho vontade de ir ver meu pai, se vou é mais por pena dele que está velhinho, mas não por amor. É muito triste imaginar que poderia causar esse sentimento em meu pequeno, porque é um sentimento até de culpa, por não conseguir sentir amor pelo meu próprio pai.

  5. Gabi Miranda disse: em 12.08.2016

    Gabi, ótima reflexão. Eu nunca apanhei, lá em casa era tudo na base do diálogo e do amor. Minha mãe sempre foi muito amorosa conosco. E eu tb, modéstia parte, bem compartinha. ahahaha
    sou totalmente contra bater. Sim, às vezes da vontade e só de sentir vontade morro de remorso. O problema é que educar dá trabalho sim e parece-me que as pessoas querem ir pro lado mais fácil. Uma pena. bj

  6. Katia disse: em 04.09.2016

    Ótimo texto!! Curtindo em 1,2,3…

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