Preconceito, o que vamos ensinar aos nossos filhos sobre ele

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Encontrei na rede social de uma amiga a seguinte frase: Se a sua frase vai começar com “eu não tenho preconceito, mas…”, nem continua.

Perdi o sono pensando no assunto e como devemos tratá-lo com nossos filhos. Depois de horas pensando, pensando, pensando, cheguei a conclusão de que devemos primeiramente tratá-lo em nós, porque nossos filhos, mesmo sendo nossa versão melhorada, ainda terão muito do que somos, nos sentimentos, nas atitudes, no seu jeito de ser.

Meu marido que recentemente estudou sociologia vive me dizendo, a melhor maneira de melhorar o mundo e as desigualdades que nele há, é admitirmos que sim, nós somos preconceituosos. Não importa exatamente com o quê, e sim como lidamos com ele.

Preconceito, o que vamos ensinar aos nossos filhos sobre ele…

preconceitoHá poucas gerações, ainda tínhamos escravos no Brasil, há menos de 2 séculos a África vinha sendo alvo de extermínio e exploração pelos europeus. Muita gente ainda não consegue entender que tons deferentes de pele não podem significar nada, já que o que importa mesmo, é o caráter e a índole de cada um.

O divórcio existe há poucos anos e as mulheres ainda precisam lutar muito, MUITO mesmo para ter um espaço, principalmente se saírmos dos grandes centros e formos para o interior desse nosso Brasil.

Falando sobre machismo… Ninguém se importa muito se o homem já teve muitas mulheres, digo, a sociedade não se importa muito. Preciso dizer o que a sociedade pensa do sexo oposto?

A maioria dos homens trabalha fora e tem a mais absoluta certeza de que a obrigação dele como homem, pai e marido é trabalhar, pagar as contas, chegar em casa e encontrar tudo minimamente organizado. Seu jantar colocado impecavelmente à mesa, ou em frente à TV caso esteja passando futebol. De preferência, que a mulher recolha o prato para leva-lo à pia.

A maioria das pessoas com mais idade não aceita que o jovem hoje, possa ter algum tipo de experiência melhor do que a sua. Afinal os mais velhos sabem de tudo, sabem sempre o que é melhor. Sim os mais velhos tem mais vivência, tem mais bagagem, mas isso não desabona o jovem curioso que desbrava o mundo e também tem seus conhecimentos e experiências.

Os brinquedos. O que falar das inúmeras propagandas onde a menina precisa aprender a ser uma boa mãe, para tanto, ela tem bonecas com fraldas, bonecas doentes, bonecas usando chupetas. Também tem inúmeras opções de cozinhas, panelinhas e pasmem, mini vassouras e pázinhas de lixo. Não vou entrar no mérito da criança que gosta de brincar com essas coisas. O que não podemos, é limitá-las apenas a essas coisas pois é isso que o mundo faz, de maneira sutil ou escancarada, como preferir enxergar isso nesses objetos. Já os meninos aprendem a lutar, serem super heróis e como ser aventureiros. Não existe uma boneca (aos olhos da sociedade e das industrias de brinquedos) feita para ele. Para muitos pais (a figura masculina) é inadmissível que seu filho encoste numa boneca ou brinque de casinha. Essa é a nossa cultura que precisamos entender, mas que também precisamos mudar para melhor.

Entre carrinhos e bonecas, entre o rosa e o azul

A questão aqui não é o que desta lista acontece em sua casa e sim desta lista, o que podemos aprender, respeitar e melhorar. Só apontar o dedo pro defeito alheio ou se defender daquilo que não faz, não resolve a intolerância no mundo. Acho que um bom começo é repensar aquilo que não aceitamos, gostamos ou não queremos e tentar melhorar isso. Tentar já é um bom caminho para querer melhorar a gente e o mundo.

Tem muito ateu dizendo que eles não se rebelam como os religiosos extremistas, que por isso são melhores do que os outros. Acho que dizer que é melhor do que o outro jé é algo ruim, independente de onde venha, do ateu, do religioso, do extremista. Não podemos generalizar religiões, países e culturas em detrimento de um bando de gente louca e insana que mata como se fosse a coisa mais natural do mundo e que quer arrancar à força aquilo que segundo ele, é seu por direito. Aqui poderíamos fazer um mini paralelo à cultura do estupro, onde o homem violenta a mulher porque acha que tem direito sobre ela, e assim a roda é infinita da injustiça.

Há alguns dias, estava no carro com meu avô e meu filho. Meu avô comentava o quanto era natural para o bisneto, agradecer sempre pedia algum tipo de ajuda, assim como pedir desculpas quando fez algo de errado. Nós não ensinamos ele a agradecer e a pedir desculpas. Nós agradecemos sempre que ele nos ajuda em algo, e nos desculpamos sempre que fazemos algo que o deixe chateado. Ele então aprendeu pelo exemplo.

Enquanto tratarmos as pessoas como, moreninha, negrinha, gordinha, feinha, pobrinha, ensinaremos a pior parte de nós aos nossos filhos, aquela que ninguém assume que tem, mas que vive exteriorizando em diversas situações.

Não precisamos imaginar o que fazemos de errado, ou se somos ou não de fato preconceituosos, esse vídeo aqui, mostra exatamente o que somos, o que nossa sociedade nos ensinou e como reagimos com os que mais precisam da nossa valiosa ajuda.

 

Eu lembro que há anos atrás, aquelas cantoras Pepê e Neném, num depoimento disseram: quando éramos meninas de rua, ninguém nos queria por perto e ninguém nos dava um prato de comida. Hoje que temos condições de pagar, os restaurantes não querem nos cobrar.

Preconceito, o que vamos ensinar aos nossos filhos sobre ele?

1 comentário

  1. Gabi Miranda disse: em 08.08.2016

    Gostei da reflexão. Tenho pensado muito nisso desde o dia em que meu filho pediu um tênis rosa. Eu não teria problemas em dar o tênis rosa, mas não estou preparada para lidar com os sentimentos do meu filho ao ter que enfrentar os olhares alheios e os amiguinhos “zuando” ele por usar um tênis rosa. temos que admitir: a sociedade e (até as crianças são cruéis, rs). Daí que conversando com algumas amigas, foi até a Nanna que indicou uma chuteira rosa. Meu filho amou a ideia. O preconceito existe e de várias formas, não adianta dizermos que não sentimos, porque de alguma coisa temos. Mas acho que o que conta é a forma como lidamos com ele. Gostei do texto. 😉

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