Pais, parem de comparar e desafiar seus filhos

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parem de comparar seus filhosUma das coisas que a gente aprende quando tem um segundo filho é que é possível amar os dois com a mesma intensidade. Arrisco a dizer que quando descobrimos a segunda gravidez é que percebemos o tamanho do amor que sentimos pelo primogênito. Como se pudéssemos reviver com mais serenidade, a primeira gestação.

O segundo aprendizado é que mesmo amando com a mesma intensidade todos os filhos que temos, a maneira de relacionar-se é diferente. Cada filho tem uma habilidade, um temperamento, um jeito diferente de brincar. Cada filho tem seu tempo para se desenvolver, andar e falar. Cada filho aprende a gostar de determinadas coisas e a fazer tantas outras que o irmão jamais faria.

Eu já escrevi um post falando do quanto é difícil ser o irmão mais velho. Sim é muito difícil quando este é cobrado por habilidades que ainda não possui. É difícil quando o mais velho tem dificuldades as quais não se sente seguro para tentar superar. Parece que tudo isso fica infinitamente mais difícil quando alguém vem e diz que a irmã que é bem mais nova consegue fazer xyz com enorme habilidade.

Eu vejo essa comparação como uma inabilidade dos adultos em lidar com as diferenças e o pior, vejo esse tipo de atitude como uma maneira sutil de criar uma competição DESNECESSÁRIA entre irmãos. Um pode ser melhor cantando e outro dançando, isso não faz de um, o melhor e o outro um inútil.

Como é difícil impedir que isso aconteça, como é difícil perceber à sua volta a comparação constante dos amigos, dos familiares e até quem mal conhece seus filhos.

parem de comparar seus filhosAqui temos o Pedro, com seu jeitinho meigo e carinhoso de ser, mas também inseguro, ainda aprendendo a se comunicar mais facilmente e aos poucos se soltando para a vida. Temos a Olivia, desbravadora do mundo, falante e cheia de personalidade que enfrenta todo mundo e não tem medo de nada.

Olhando os dois, vejo qualidades e defeitos, vejo amor, vejo superação em cada um. Então porque raios as pessoas precisam enaltecer o jeito carinhoso de ser do Pedro e desmerecer o jeito desapegado da Olivia? Porque precisam dizer que a Olivia não tem medo de nada e que faz as coisas melhores do que o Pedro? Será que acreditam mesmo que com isso ele vai se sentir seguro para fazer coisas que não aprendeu a fazer? Não, ele se sentirá diminuído e mais inseguro do que já se sente em determinados momentos.

Pais, parem de comparar e desafiar seus filhos. Mostrem que com todas as suas diferenças, ambos são capazes de desbravar o mundo. Cada um a sua maneira e não há absolutamente nada de errado nisso.

Todas as vezes que vejo alguém da minha família fazer este tipo de coisa (porque sim, todo mundo tem parente sem noção) eu me lembro da minha infância, cheia de julgamentos e comparações que só fizeram de mim, uma menina frustrada, insegura e depois de um tempo, um tanto rebelde. Eu não me tornei melhor ao ser comparada, nem me tornei mais habilidosa ao ser desafiada, só me tornei uma pessoa melhor quando tive filhos. Eles mudaram minha percepção de mundo, de vida, de amor, de amadurecimento.

Vejo no Pedro, habilidades e qualidade incríveis, mesmo que com um pouco de atraso (ainda), assim como vejo tantas outras na Olivia. Isso me faz ama-los cada dia mais, cada vez mais à sua maneira, do jeito que precisam.

Uns precisam de colo, abraço e beijo, outros precisam de incentivo, reforço positivo, uma mão estendida. Todos precisam de pais que acreditem no seu potencial, que estejam presentes em suas dificuldades, que tenham maturidade para ouvir, que tenham discernimento para orientar e tenham muito amor para dar.

Pais, parem de permitir este tipo de atitude, parem de rir da dificuldade de um em detrimento da habilidade do outro. Avós, parem de comparar seus netos e sobrinhos. Cada um é único e se desenvolve à sua maneira e a seu tempo.

Sejam mais tolerantes, mais pacientes e os grandes incentivadores dos seus filhos. Se conseguirmos fazer isso, certamente deixaremos pessoas melhores para este mundo.

1 comentário

  1. Luna disse: em 08.12.2017

    Que maravilhoso esse texto!
    Eu não sou mamãe mas adorei a forma como você descreveu esse assunto e creio que certamente podemos estendê-lo para todas as relações que temos (e teremos) em nossas vidas, seja com crianças, adolescentes ou adultos. Cada um é um ser único e o amor se demonstra através da aceitação daquilo que somos e daquilo que enxergamos de maravilhoso no outro. Adorei!!!

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