A difícil tarefa de compartilhar a atenção entre os filhos

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filhosDepois de um tempo observando meu dia a dia com meus filhos, me vi numa situação bastante difícil. Pedro estava sendo cobrado por uma maturidade que ele ainda não tinha.

É difícil compartilhar a atenção entre os filhos e é muito fácil e quase imperceptível, a expectativa que depositamos sobre o filho mais velho, como se ele fosse capaz de entender e colaborar mais do que consegue.

Como se essa cobrança fosse capaz de tornar nossos filhos mais velhos independentes a ponto de quase conseguirmos descansar junto com o mais novo. Hoje eu tenho certeza de que é difícil ser o irmão mais velho.

Quando a gente planeja ter um segundo (ou terceiro) filho, além de satisfazer nossa vontade de ser mãe novamente e ver a família aumentar, pensamos muito da relação entre irmãos que se bem cultivada, os fará amigos por toda a vida (ou não).

Eu sou filha única e sempre me senti muito sozinha por isso. Passei pela separação dos meus pais sem ter com quem dividir o meu medo. Passei a adolescência sem ter alguém para compartilhar meus feitos e muito mais ao longo da vida. Por isso sempre quis ter 2 filhos.

Quando Pedro nasceu, eu conseguia me organizar e além de cuidar dele, consegui retornar ao trabalho, descansei por vezes sozinha e dormia bem à noite. Olivia nasceu e virou nossa rotina de cabeça para baixo. Já escrevi muito sobre sua difícil rotina do sono, sobre a perda auditiva do Pedro e a difícil relação entre eles até pouco tempo atrás.

Atualmente meus pequenos se divertem juntos, brincam, brigam, se abraçam e se relacionam como eu sempre pensei que seria. Mas a minha relação com cada um é diferente, muito diferente.  Olivia exige minha atenção, meu colo, minha presença o tempo todo. Pedro brinca sozinho quase sempre, não pede grandes ajudas mas vem sentindo minha falta.

Pedro nas poucas vezes que pede minha atenção, colo ou qualquer outra coisa, acaba ouvindo: espera um minutinho filho, estou cuidando da Olivia. Já vou Pedro, estou fazendo a Olivia dormir. Pedro, a mamãe está tão cansada.

Fico me perguntando o que ele sente, todas as vezes que precisa esperar para ter um pouco de mim. Fico pensando em como posso compartilhar melhor minha atenção com os dois. Perco horas pensando onde estou errando, se é que estou mesmo errando ou se esse é o curso da vida.

Consigo pensar com mais clareza depois de umas noites de sono bem dormidas e uns dias de férias na casa do meu avô. Consigo perceber que sim, eles se gostam, mas disputam a minha atenção como se isso os fizessem se sentir mais amados ou queridos. Não dá para planejar o tempo com cada um dentro da rotina diária quando ela é quebrada. O que tenho feito é aproveitar muito o tempo em que eles estão pedindo minha atenção.

É uma tarefa difícil dividir-se em duas, acolher dois ao mesmo tempo no colo, cuidar para que um não despenque do sofá enquanto o outro come, ou impedir que um seja acordado pelo irmão com o choro do outro na madrugada.

Acredito que o Pedro não lembre mais como é ser filho único, mas se lembrasse, sentiria saudades. Eu sinto saudades de tê-lo como filho único, sinto saudades de ter momentos com ele e por isso tenho proporcionado momentos assim quando posso.

Sinto saudades de ser a mãe que imaginei que seria e como ele seria melhor do que eu. Sinto saudades de apenas idealizar a maternidade e dormir tranquila sabendo que teria feito o meu melhor.

Ser mãe é viver sentindo-se culpada, viver cobrando-se mais do que podemos fazer, é viver imaginando como seria se tivéssemos dormido melhor, comido uma comida quentinha e os filhos obedecessem da forma que o mundo idealiza.

A maternidade é uma grande aventura, linda, misteriosa, cansativa, louca e maravilhosamente boa. Acho que a maternidade é a real possibilidade de nos tornarmos pessoas melhores, mesmo que a gente não acredite nisso.

7 comentários

  1. Roberta Santos disse: em 11.07.2016

    Adorei o post….passo pela mesmo situação com as minhas duas filhas!

  2. Larissa disse: em 11.07.2016

    Olá Gabriela!

    Difícil não me emocionar com os seus relatos, seus textos. É como se fosse eu mesmo escrevendo sobre meus dias de maternidade. Tenho um menino de 2 anos e 7 meses e um benzinho de quase 4 meses. Me vejo em seus relatos e me emociono imensamente quando os leio. Obrigada por compartilhar sua história!

  3. Geisi disse: em 11.07.2016

    Amo seus posts , identificam muito comigo.
    Tenho vivido momentos parecidos.
    Luís de 3 anos e Lucas de 40 dias.
    Quis muito um irmão para o Luís, não teria companhia melhor.
    Mas agora tudo esta tão distante do que pensei,o comportamento do Luis mudou muito, ele que era um ” rapazinho” agora quer voltar a ser bebê, fala como um bebê , não obedece por nada , chorão etc Fico irritada na maioria das vezes.
    Num sono da tarde do Luís eu parei pra pensar o quanto tenho cobrado e sido dura comigo e com ele. Parei pra pensar que eu não vivi uma maternidade tão feliz com o Luís eu não o vi crescer, onde eu estava? O que fiz do tempo que eu pude ter com ele?
    Eu fui para o computador e puxei os videos dele, as fotos quando bebezinho e chorei, chorei muito.
    Quando você falou em saudade eu me identifiquei 100%, Pq é o que tenho sentido nos últimos dias ou até meses…
    Saudade de brincar com meu filho, saudade de pega lo no colo sem à interrupção do choro do mais novo , saudade de dormir abraçadinho com ele durante a tarde.
    Por mais que eu não queira ele sentiu, tem sentido minha falta, e se é um ciclo da vida espero que ele não lembre com mágoas.
    Eu tenho sofrido muito mais por não conseguir lidar com duas crianças. Espero um dia olhar para traz e ver que deixei uma boa lembrança na vida dos Meus filhos.

    1. Gabriela Gama respondeu: em 11.07.2016

      Geisi esse começo é MUITO complicado mesmo. Quando o pequeno estiver com 8 ou 9 meses tudo vai melhorando. Aproveite as sonecas dele para ficar mais com o mais velho. Sei que é difícil, mas só de tentar a gente já se sente melhor!

  4. Michele Kaiser disse: em 11.07.2016

    Li hoje cedo e me identifiquei muito. Porém, me senti ainda mais angustiada porque vivo isso muito mais intensamente. Ontem, quando os trigêmeos finalmente dormiram seu sono da tarde, tudo que eu queria era dormir também. Mas tinha um anjo em forma de menina me esperando para jogar um joguinho do Frozen, com tabuleiro montado. Imagina dividir-me para quatro? Meu sentimento é de que estou sempre devendo para alguém. Post muito pertinente. Um beijo, Gabi.

    1. Gabriela Gama respondeu: em 11.07.2016

      Nossa Mi eu me lembrei muito de ti quando escrevi o post. Tenho certeza de que a Monica ama os irmãos mas deve sentir falta de ter os pais só pra ela. bjs

  5. Renata disse: em 08.08.2016

    Vc definiu tão bem! Tenho uma bebe de 26 dias e durante a gravidez foi aqueeeela expectativa sobre o relacionamento com o mais velho de 4 anos.
    Mas não é bem assim. Peço que ele participe, enquanto amamento puxo ele pra perto, ele assiste as trocas de fraldas, mas por vezes acabo n dando a atenção necessária. As vezes estou com ela e o pai e ele assistindo e sinto como se tivéssemos excluído ele da família, mas isso n eh verdade e se realmente esta acontecendo nunca foi minha intenção. Sinto uma saudade de ficar com ele no colo. Ele pede colo, mas eh mto pesado. E mtas vezes tenho sido mais rígida com ele. N queria ser assim, mas quando vejo ja estou sendo!

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