Você anda comprando coisas demais para o seu filho?

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comprasVocê anda comprando coisas demais para o seu filho?

Todas as vezes que o Pedro ou a Olivia perdem uma peça de roupa porque cresceram, fico me perguntando se eles usaram aquilo o suficiente, ou se ficou de enfeite no armário e foi usado apenas para que minha consciência não pesasse. Fato que já ganhei muita coisa linda e altamente desconfortável, que entrou e saiu do armário sem uso. Fato também que algumas pessoas não pensam na idade do filho por estação, então aquele vestido lindo e fresquinho tamanho 18 meses, servirá em pleno inverno e colocar uma meia calça de lã para ajudar, ficará definitivamente brega. Sapatos, porque mesmo temos o hábito de comprar tantos sapatos para nossos filhos de poucos meses, sendo que a única coisa que para naqueles pézinhos de bisnaguinha são meias? Compramos, compramos e continuamos comprando porque temos o hábito de comprar, temos o hábito de consumir tudo o tempo todo, então transferimos o hábito de encher nossos armários de bolsas e saltos, por macacões, vestidinhos e acessórios que muitas vezes sequer serão lembrados.

E você anda comprando coisas demais para o seu filho?

Quando o Pedro nasceu eu tive que sair às pressas para comprar mais roupa para ele de tão poucas que ele tinha, mas isso foi a exceção da exceção, porque as mães sempre costumam exagerar.

Quantos vestidos sua filha de 1 ou dois anos precisa ter para passar uma estação (que dura só 4 meses) usando 1 ou 2 vezes por semana quando sai? Quantos sapatos ela precisa para estar sempre bem arrumadinha e bem calçada? 6, 8, 9? Não, ela não precisa de tudo isso de sapatos e talvez nem tudo isso de vestidos. Antes de começar o post fui ver quantos vestidos a Olivia tem no armário e me deparei com 7, sendo dois de tamanho maior para uso no próximo verão e ainda assim tem uns ali que pouco foram usados e não servirão mais na próxima estação.

Quando os filhos vão para a escola, precisamos de uniforme e ainda menos peças de roupa para sair. As mais velhas ficam para usar em casa e as novas para sair fim de semana.

E sobre brinquedos? Já pararam para contar quantos brinquedos seus filhos tem? Analisem não apenas a quantidade, mas também o valor de cada um. Será que eles precisam de um quarto abarrotado ou uma sala dedicada exclusivamente para eles?

Na semana passada eu estava numa loja de brinquedos onde meu filho ganhou um Hot Wheels de R$ 9,90 e brincava todo sorridente com a irmã no escorregador, quando ouvi a conversa de uma senhora e sua filha com o vendedor. Elas queriam comprar algo majestoso para dar de presente. Saíram de lá com um carrinho que parecia uma Ferrari e beirava os mil reais e a filha com uma barraca enorme de um personagem que não me lembro agora. Fiquei pensando se elas também dariam uma casa de presente para a pessoa, já que ela precisaria de um bom espaço para guardar aqueles lindos presentes. Eu já estava achando aquilo um elefante branco, quando a senhora pediu o carrinho mais caro para impressionar mais. Peraí é isso mesmo? Precisamos impressionar as pessoas? Seremos avaliados pelo valor das coisas que levamos de presente, ou seremos avaliados pelo carinho o qual dedicamos na hora de escolher algo.

Confesso que acho meio absurdo você ser convidado para algo e ainda ter que levar presente, mas não dá pra ir contra a cultura enraizada no ser humano. Mas dá para ser mais coerente né?

Faça um exercício: abra o armário dos seus filhos e olhe o quanto de roupa e calçado ele tem. Pense se ele realmente vai usar muito cada uma das peças que lá está. Provavelmente você vai perceber que tem coisa sobrando e que muita coisa será doada ou vendida sem uso, porque estavam lá sem precisar estar, porque você comprou demais. Olhe os brinquedos que seu filho tem. Será que ele gosta de tudo aquilo que enche sua sala? Será que ele tem vontade ou tempo de brincar com tudo aquilo que você comprou?

Lembre-se, seu filho não precisa de coisas, não precisa de peças caras e brinquedos mirabolantes. Para ele um potinho plástico com uma colher para fazer batuque pode ser tão ou mais interessante do que aquele mini Camaro Amarelo que custa mais de dois mil reais. Seu filho precisa de cuidados, de tempo, de carinho, abraços e beijos, seu filho não precisa de coisas.

Faça outro exercício: compre peças boas porém de baixo custo, coisas neutras que combinem com tudo, que possam ser usadas no dia a dia. Compre conforme for precisando. Não faça estoque de roupas e nem de sapatos, seus filhos não precisam de coisas!

Observe a sua volta o que de fato é relevante ter em casa, o que é moda ou que é puramente consumismo disfarçado de amor.

O que você pretende ensinar ao seu filho pelo exemplo? Que coisas são importantes ou que amor e tempo junto é fundamental?

Você anda comprando coisas demais para o seu filho?

3 comentários

  1. Débora disse: em 31.05.2016

    Ótimo texto Gabriela! Obrigada por me ajudar que TEMPO e mais importante que TER!

  2. Dellma disse: em 02.06.2016

    Texto verdadeiro e reflexivo.Obrigada querida Gabi,você com suas palavras me fez enxergar muito além!!Bjo

  3. Lele disse: em 02.06.2016

    Os meus curtem MUITO os brinquedos mais simples…
    ja me vi nessa situação de querer dar algo bem bacana qdo o que eles queriam era o mais simples e… foi bem mais legal para eles!
    beijos
    Lele

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