Atresia parcial de coana, minha filha tem

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A atresia de coana é uma malformação congênita e corresponde à falha no desenvolvimento da comunicação entre cavidade nasal posterior e nasofaringe. A apresentação unilateral é a mais frequente, mas também são encontrados casos bilaterais total ou parcial. Essa má formação tem incidência de 1 para cada 8.000 nascidos com predominância no sexo feminino.

Olivia foi operada no dia em que completou 1 ano e 5 meses para aspiração da secreção bacteriana alojada nos dois ouvidos e uma revisão geral da primeira cirurgia feita aos 9 meses de vida. Durante o procedimento, o médico que a operou pode verificar a atresia parcial de coana dos dois lados ou seja, atresia bilateral parcial, não necessariamente nessa ordem.

O que isso significa? Olivia tem a comunicação entre a cavidade nasal posterior, menor do que o habitual e isso colabora para as infecções de repetição, dificuldade em respirar e eliminar a secreção. A secreção parada é o melhor convite à colonização de bactérias, causando as frequentes infecções que precisam de antibióticos de amplo espectro para combater a doença e ainda assim, nem sempre funciona. O caso da Olivia não é operável, ou melhor, não há garantia de melhora e como a cirurgia é de grande porte, trataremos clinicamente. Cuidados ambientais como limpeza da casa, extinção dos tapetes, lavagem constante das cortinas, sofá, etc, serão necessários.

Algumas crianças passam a infância com infecções, crises alérgicas e coriza constante sem tratamento adequado e em alguns casos, não raros, os danos como perda de audição ou pouco desenvolvimento da mastóide (um osso específico do ouvido) acarretam sequelas para o resto da vida. A atresia pode ser identificada através de uma tomografia dos seios da face ou nasofibrolaringoscopia, exames que o otorrino costuma pedir em casos de infecções recorrentes ou congestão nasal permanente.

Eu aproveito para lembrar que o pediatra tem obrigação de encaminhar seu paciente a um especialista quando este sai dos padrões de anormalidade, algo que dificilmente acontece. Vejo muitas mães comentando sobre quadros arrastados de crises alérgicas, ou crianças tratadas como APLV que no fundo tem qualquer outra coisa, menos APLV. Tem também os casos de otites que são comuns nos primeiros anos, mas nem todas as crianças estão dentro dos padrões. É preciso entender que um pediatra de rotina, é na maioria das vezes, um médico “generalista” que em determinadas situações, precisa de uma segunda opinião ou de um especialista específico.

Aqui o vídeo da cirurgia da Olivia onde a atresia de coana foi identificada.

Aproveito para agradecer o Dr. Raul Zanini otorrino da família toda, que além de competente, esteve conosco em todos os momentos cuidando de cada detalhe e investigando minuciosamente a causa das infecções. Dra. Andrea Vaciloto pediatra do Pedro e da Olivia que esteve conosco durante a internação e cuidou de toda a parte pediátrica da nossa pequena para que a internação corresse de maneira mais tranquila. Dr. Fausto Matsumoto alergista e imunologista que nos ajudou durante a fase de exames e dará andamento na parte imunológica e alérgica da Olivia e também do Pedro.

Estar cercado de uma equipe competente e comprometida faz toda diferença e me sinto grata por este privilégio.

9 comentários

  1. Rose Poli disse: em 11.05.2016

    Nossa.. impressionante ne.. MAs graças a Deus ela esta bem… Tenho um bb de 2 anos e estamos investigando tb, pois tem varias infeçcoes de ouvido.. Achei super interessante seus post.. Venho aqui todos os dias.. Muito bom dividir com a gente essas eventualidades da vida.. Parabéns e melhoras pra nossa princesinha sapeca..

  2. Lele disse: em 13.05.2016

    Bom saber que está bem assistida e que foi detectado cedo.
    E que tudo fique bem
    bjs
    Lele

  3. Rose Poli disse: em 18.05.2016

    Estou fazendo os testes ainda.. Como ainda esta tomando remedios .. a medica achou melhor esperar para realizar, se não pode dar alteração.. Dificil.. viu.. Mas estamos em busca..Bjs

  4. Fabiana disse: em 15.06.2016

    Com quantos meses sua bebe foi diagnosticada???

    Meu filho está com 9 meses e não estamos acertando um tratamento para ajuda-lo na parte respiratoria
    . .. Mal dorme com o nariz congestionado!!!

    1. Gabriela Gama respondeu: em 15.06.2016

      Minha filha foi diagnosticada aos 8 meses de idade e operou aos 9 meses de adenóide e ouvido. Com 1 ano e 5 meses na segunda cirurgia para aspiração e recolocação do tubo de ventilação do ouvido e nesta segunda cirurgia foi visto a atresia. É raro e acredito que seu filho deva ter outros problemas mais comuns como hipertrofia de cornetos, adenóide, amigdalas aumentadas ou alergia a leite. Se estiver em SP recomendo meu otorrino que hj para mim é o melhor médico que já tive. Considere tratar seu filho com especialistas: otorrino e pneumo caso haja algo no pulmão. Pediatra não tem competência para tratar essas coisas recorrentes, por melhor que ele seja!

  5. Emyflor disse: em 25.07.2016

    Adorei sua publicação!!nasci com esse problema,o meu era atresia da coana direita,fiz a cirurgia a pouco tempo,com meus 20 anos de idade..convivi com este problema esse tempao, e te digo, é horrível!!sentia falta de ar quando era criança e quando era bebê quase me sufoquei..meu cirurgião disse mesmo que este caso é raro e que só resolveria com a cirurgia..eu senti muito medo de realizar o procedimento (apesar de ser uma cirurgia rápida),mas criei coragem e pedi muito a deus pra dar certo..E deu cerro graças a deus..hj sou muito grata a meu querido cirurgia dr Rodrigo,o melhor!!

    1. Gabriela Gama respondeu: em 25.07.2016

      Emily, tudo bem?

      Nossa, se não fosse uma coisa ruim eu diria que é um prazer encontrar alguém que teve atresia. A da Olivia é parcial e bilateral então por hora não vamos mexer. Li alguns artigos que relatam pessoas que passam sufoco com o nariz a vida toda e descobrem super tarde a atresia. Fico feliz que tenha corrido tudo bem.

      abs,

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