Ensinamos o que queremos, mas geramos o que somos

Categorias: Comportamento Mães
O título deste post, é parte de uma palestra a qual participei sobre educação familiar e dos filhos. Nesta época eu não era casada e o Pedro estava longe de ser uma realidade. Passei um tempo pensando no que exatamente esta frase significava na minha vida. Percebi depois de algum tempo, que eu era o reflexo da minha mãe. Não exatamente igual, mas com inúmeros defeitos e qualidades que ela tinha. Acho que no final das contas eu fui bem criada, mas o tipo de criação adotado pela minha mãe nunca me agradou e me deixou algumas cicatrizes profundas na alma. Aos 23 anos saí de casa buscando ser diferente, buscando fazer a diferença.
Pensando nesses 9 anos morando longe da asa da mãe, a ideia de que os filhos precisam de ninho e de asas, faz todo o sentido. O ninho é segurança, aconchego pra onde sempre queremos voltar, e as asas são as que nos permitem voar alto, alcançar sonhos, viver a vida. Hoje, depois de me tornar mãe, lembro muito do ninho, embora não seja exatamente como eu sempre sonhei, é onde me sinto segura e amparada. A gente muda completamente a visão que tem da vida, depois que tem os filhos.
Tudo que leio e pesquiso sobre educação, ensinamentos e dia a dia, nem sempre condizem com a realidade. Muitas vezes nos deparamos com as dificuldades de fazer nossos filhos comerem melhor, dormirem melhor, preferir o brinquedo educativo ao iPad. Mas nós, preferimos o brócolis ao cheeseburger? Dormimos 8 horas por dia como se isso fosse a coisa mais sagrada da vida? Somos capazes de largar o celular por um dia inteiro somente para apreciar as demais coisas? Não, ou muito pouca gente consegue fazer tudo isso.

Tenho uma amiga vegetariana que a filha dela come todos os legumes in natura, na mão e sem frescuras. Eu detesto qualquer tipo de comida que tenha que pegar com a mão, passaria a vida sem brócolis e beterraba e se não me policiar, o prato de comida nunca terá cores. Pedro não é diferente, ama uma massa, um purê, um feijão. Faz cara feia quando encontra algo colorido no prato e raramente experimenta coisas novas. Sabendo da importância de uma alimentação saudável, passamos um tempo tentando dribla-lo. Sopa de legumes, o tal arroz colorido, purê de várias raízes juntas, fruta, muita fruta e assim vai. Venho me policiando para comer direito quando estou em casa e fazer disso um hábito, porque tenho plena consciência de que se não for um hábito familiar, dificilmente será o hábito das crianças. Confesso que alimentação e desapego à tecnologia tem sido meus maiores desafios até então.

Por diversas vezes percebemos pais que querem superar suas frustrações realizando-se nos filhos. A famosa aula de balé que a mãe não pode frequentar muito tempo, mas agora faz de tudo para que a filha não perca por nada, mesmo que a filha prefira uma outra atividade e deixe isso bem claro. Exigimos disciplina, obediência e organização acima do que nós mesmos somos capazes de fazer, porque? Porque queremos gerar aquilo que achamos ideal, sem no fundo aceitar que os filhos são reflexo dos pais, que sempre geramos o que somos.
Acho que o grande desafio da maternidade e da paternidade não está em criar bons filhos, mas em criar bons pais. Pessoas melhores capazes de fazer a diferença no dia a dia das pessoas, que sejam gentis com seus animais de estimação, que cultivem o bom hábito da leitura, de uma boa noite de sono, de conversas tranquilas, de uma relação respeitosa entre marido e mulher e entre os que o cercam. Isso com toda a certeza fará com que os filhos sejam a realização do nosso sonho, do nosso melhor à eles.
Estou longe de ser tudo isso que sonhamos, mas espero poder melhorar sempre para ser uma boa referência para o Pedro e a Olivia. Certamente aprendemos mais com nossos filhos do que com nossos pais.
ENSINAMOS O QUE QUEREMOS, MAS GERAMOS O QUE SOMOS! Sejamos melhores a cada dia =)

1 comentário

  1. Carla disse: em 27.07.2016

    Excelente reflexão , muito obrigado por compartilhar conosco!

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