Comi e não morri

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Umas das coisas que mais sinto falta e na mesma proporção me deixa feliz é morar longe da família. Sempre li relatos de mães que passam por diversas situações chatas em relação à comida com a mãe, a avó, a tia, a amiga da vizinha da cunhada, etc…

Minha mãe sempre respeitou a dieta estabelecida em casa e nunca ofereceu nada sem perguntar. Até um biscoito fora de hora se o Pedro pede a ela, ela vem e pergunta se tudo bem. As vezes acho exagerado, mas prefiro que seja assim.

Venho de uma família de gordinhos com um péssimo hábito alimentar. Minha mãe vive falando que não come nada de errado. Mas alguém conhece algum cidadão que come de forma saudável 100% do tempo e seja obeso? Pois bem, essa é minha mãe, mas ela não admite e nem nunca admitirá. Meu avô tem 86 anos, nunca teve colesterol e triglicérides alterado e come muito mal. De torresmo pra pior, diariamente! Se eu contar a ele que alimentação saudável é parte responsável por uma vida mais longa ele certamente vai rir da minha cara e assim como ele, muita gente também acha, pois temos por costume considerar a exceção como regra.

Do tempo da nossa vó, da nossa mãe e até do nosso primeiro filho, muita coisa mudou e continua mudando. A alimentação é uma dessas coisas mutantes, cheias de nova regras e condutas, mas parece que as pessoas não querem saber, ou simplesmente acham que apenas a sua verdade é suficiente.

Eu comi e não morri. Eu comi feijão aos três meses, tomei leite de vaca puro com aveia e maisena e muito açúcar, o lanche da tarde era biscoito recheado, para passear um achocolatado, no almoço fritura e fruta e verdura eu só conheci depois de adolescente. Minha mãe e o resto da família diz que eu sou muito saudável e que meu sobrepeso e a briga diária com a balança, as dores de estômago e problemas de intestino são exclusivamente culpa minha, afinal eu me alimento mal e como besteiras ao longo do dia. Até parece que fui criada na casa do vizinho.

Para quem não me conhece pessoalmente, estou precisando perder mais de 10 quilos, detesto comer frutas e verduras. Amo chocolate e todas as porcarias industrializadas que só ajudam a engordar. Detesto dieta e quando vou a uma nutricionista não quero abrir mão de nada. A culpa é minha? Também, mas muito de tudo isso vem dos hábitos estabelecidos durante toda a minha infância.

Eu tenho a mais absoluta certeza de que se meus filhos estivessem diariamente com a minha família, conheceriam o açúcar, o petit suisse e tantas outras porcarias industrializadas precocemente. Isso porque eles acreditam exatamente na célebre frase: comi e não morri, ou justificam que no tempo deles que era bom, no tempo deles era assim que todo mundo comia e todo mundo era saudável. Um pena que não possam abrir a cabeça e aceitar que não querem mudar, mas que isso não precisa ser uma regra aplicada na vida de todos.

Em casa tem muita comida industrializada, tem chocolate, sorvete e tantas outras coisas que deveriam passar longe de uma casa. Prometi a mim mesma que 2016 será um ano diferente, vou cuidar do corpo e da mente. A meta é melhorar os hábitos alimentares, aprender a cozinhar e fazer atividade física. Não posso fazer isso sozinha claro, então maridão vai junto na nutricionista e a ideia é melhorar ainda mais a alimentação das crianças.

Sim, eu comi e não morri. Tô acima do peso, com celulite, barriga e querendo comer uma barra de chocolate por dia. Sim eu tenho vontade de comer chocolate o tempo inteiro, sou uma formiga daquelas bem gulosas 🙁

Vamos fazer melhor, vamos fazer diferente, quem sabe assim a chegue aos 100 anos com saúde.

Essa foto foi feita no ensaio de aniversário do Pedro e da Olivia. Ao contrário dos tradicionais Smash The Cake com bolos cheios de açucares e corantes, fizemos um Smash The Fruit. As crianças amaram experimentar novas frutas.

Pedro e Olivia tem uma dieta rica em frutas, verduras e legumes, pouco conhecem o sal e o açúcar. No caso do Pedro que conheceu rapidamente a bolacha maisena, mas logo desconheceu, só foi apresentado de fato aos doces quando foi para a escola, com dois anos e dois meses. Olivia não come açúcar.

Desejo criar filhos saudáveis com peso equilibrado e com bons hábitos alimentares e não como eu que detesto qualquer salada e legume e adoro chocolate. Ok, quase todo mundo ama chocolate, mas eu troco o almoço por ele. Não quero criar sobreviventes.

comi e não morri

Smash The Fruit do Pedro e da Olivia! Foto: Patricia Vilela.

5 comentários

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    Mariana Gimenez disse: em 08.01.2016

    Nossa concordo com tudo inclusive sobre a dor de estomago, tive até que operar por mals habitos. Agora que melhorei se quero comer direito sou “a estranha”. Aqui é fritura todo dia to piorando outra vez. Minha mãe me proibe de fazer outra comida e diz “Todo mundo aqui ta comendo batata frita Mariana, larga de frescura, ou come igual todo mundo ou morre de fome que outra coisa não vai fazer por ser frescurenta”. Eu quase morri esse ano, perdi o emprego, cheguei a pesar 42 kg, operei o estomago e intestino, nem assim foi suficiente pra mostrar que “Não, eu não posso comer essas coisas ou uma hora vou morrer” Não vejo a hora de sair de casa. Vou pra casa da minha sogra engordo, melhoro, ganho peso, isso em 5 dias. Volto pra casa em 3 dias passo mal, fico doente. Minha avó esses dias falou “Nossa Mariana, como vc tava tão gordinha no fim de semana e hj ja ta magra assim?” a resposta é simples, 2 dias na casa da sogra ganho peso, como bem, ela faz suco. Aqui em casa não pode ligar o liquidificador pq “incomoda meu pai” só bebo suco de caixinha, e refrigerante, uma bomba de dor na minha barriga. Enfim. Eu sou retalhada por ficar doente, por querer comer bem. Afinal aqui é pastel todo dia e a chata “cheia de doenças” sou eu que não quero comer 🙁

    Adorei seu texto, não deixa seus filhos terem o futuro que eu tive, com dor de barriga, de estomago, perder o emprego, perder 1 ano da minha vida sofrendo de dor, e quando melhoro fazem de tudo pra eu piorar.

    O amor dos adultos pelas crianças é muito mais que prazer, é RESPONSABILIDADE.

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    Carol disse: em 17.08.2016

    Concordo em partes. Devemos ter hábitos saudáveis e ensinar para os filhos a necessidade de equilíbrio na alimentação. Não há nada de errado com doces e frituras se forem alimentos esporádicos na vida da gente. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra… Buscar o equilíbrio, os bons hábitos, ensinar a criança que brincar na rua é legal, pique é legal, correr é legal… Educação física na escola é divertido!! Meus gemeos tem 1 ano e 5 meses, desde o 5 meses de idade corro com eles, faço ginástica com eles… Eles adoram…
    Nós, mães gordinhas (também estou acima do peso), temos que ter muito cuidado para não deixar que nossas neuroses passem pros nossos filhos, um exemplo: tinha tanta sina com balança e com vida saudável, pegava tanto no pé da filha que está desenvolveu anorexia e bulimia! O resultado: anos de tratamento e preocupação, pois a adolescente chegou a ter parada cardiorrespiratória!

    Então, vamos ser saudáveis e ensinar nossos pequenos a serem, tb, e uma transgressão de vez em quando, faz parte da vida, faz parte de entender o equilíbrio necessário para viver bem!

    Beijos no coração, e fique firme no seu propósito de ser mais saudável… Estou na torcida!

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    Carol disse: em 17.08.2016

    O exemplo que deu é real, da filha de uma amiga muito querida! Acompanhei de perto todo o processo! E comemorei com ela cada vitória da filha!

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    Lele disse: em 14.12.2016

    Eu tenho lido muito sobre alimentação e testado em mim algumas coisas e posso dizer que a cada dia descubro uma nova “verdade absoluta” que caiu por terra com embasamento científico e comprovação em pacientes.
    Sim, precisamos ter bons hábitos, ensinar isso ao filhos mas sem demonizar os alimentos.
    Eu já fui beeem mais xiita, mas ainda continuo procurando o meu equilíbrio e, na alimentação é ainda mais difícil.
    beijos
    Lele

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