Eu quis ser mãe em tempo integral

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mãe em tempo integralHá 10 anos mudei de Joinville para São Paulo, com o sonho de me tornar uma grande publicitária, ter uma bela carreira e ganhar dinheiro. O começo foi bem difícil, mas depois fui pulando de galho em galho, até chegar numa empresa bacana onde trabalhei nos últimos 6 anos. Quando comecei a trabalhar neste último emprego, namorava há poucos meses meu marido. O tempo passou, noivamos, casamos, o Pedro chegou e eu continuava trabalhando muito o tempo todo. Durante a licença maternidade eu sentia muita falta do meu trabalho e por isso decidi continuar trabalhando. Montei uma nova rotina com o Pedro e vinha pra casa todos os dias na hora do almoço. Certo dia essa rotina de vai e vem começou a ficar cansativa e voltei a almoçar com meus colegas de trabalho e passei a ver menos o meu filho. Me arrependo demais por isso, mas não se pode voltar no tempo.

A volta pro trabalho não foi igual, os dias eram mais estressantes, eu não estava mais tão focada em crescer profissionalmente. Desejava conhecer melhor o mundo materno e compartilhar meus aprendizados. Nesta época criei este Blog que hoje é meu cano de escape e o meu mundinho colorido. Meses depois que eu voltei de licença, decidiram que eu não era mais necessária para a empresa e que eu deveria ser demitida. Fiquei chocada de início mas depois pensei que poderia ser uma boa idéia arrumar um novo emprego. Enquanto não decidiam minha situação, engravidei da Olivia. Não foi proposital, mas também não foi uma grande surpresa. Enfim 9 meses se passaram e eu comecei a me planejar para de fato sair do meu trabalho e cuidar dos meus filhos. Achei que fosse ficar entediada, frustrada e sentiria falta do meu dia-a-dia no escritório, mas o contrario aconteceu. Estou amando ficar em casa e cuidar da vida, dos pequenos, de mim e de quem mais precisar.

Neste tempo em que estive de licença maternidade, resolvi repensar minha carreira e planejar minha vida pós demissão. Optei por largar a publicidade e isso foi libertador. Eu quero um mundo menos consumista para os meus filhos, quero que eles aprendam o valor da vida e não das coisas, mas minha profissão exigia o oposto. Consumir sempre, consumir muito para ganhar muito dinheiro. Acontece que nós simples mortais, ralamos o dia todo para encher o bolso de uma pequena parcela de gente que não me parece capaz de oferecer um prato de comida a quem tem fome. Isso começou a me incomodar profundamente e ir contra o que eu queria para a minha vida dali pra frente.

Deixar meu trabalho, significa abrir mão de um bom salário, significa conter despesas da casa para que o salário do marido agora comporte os custos de uma família de 4 pessoas e 1 gata. Foi um exercício diário para reduzir custos, parar de comprar as coisas bacanas que vejo nas vitrines. Foi muito bom quando me dei conta que precisamos de menos do que temos. Somos abençoados por ter uma boa casa, um carro confortável e filhos saudáveis. Isso é mais do que jamais imaginei ter em toda a vida.

Minha escolha em trabalhar fora e o custo desta escolha

Hoje me sinto extremamente realizada por poder ver meu filho acordar, preparar seu café da manhã, preparar a lancheira para a escolinha, vê-lo chegar em casa, brincar com ele enquanto a Olivia dorme ou está junto de nós.

Os dias continuam corridos, mas o tempo é sempre pra eles, feira, mercado, farmácia, pediatra. Consigo estar presente em todos estes momentos preciosos da vida dos dois e isso me basta.

6 comentários

  1. Heloíse disse: em 07.10.2015

    Olá! Gostei muito do seu texto. Estou na minha última semana de licença-maternidade, fazendo adaptação da minha filha de 6 meses na escolinha, mas com um sentimento terrível dentro de mim por ter que deixa-la e ir trabalhar em outra cidade.
    Infelizmente hoje não tenho a opção de abandonar meu emprego, mas espero daqui pra frente me organizar e um dia conseguir fazer o mesmo que você. A maternidade também tem sido transformadora para mim nesse sentido, de rever prioridades e a razão para dedicarmos tanto tempo ao trabalho e tão pouco tempo à família.
    Espero que eu um dia consiga também! Parabéns!

  2. Gislaine disse: em 07.10.2015

    Nossa parece que escreveu minha história de vida, eu engravidei do segundo após sair da empresa, dois anos depois quase, mas estar com eles me basta. Algo que jamais pensei ser possível!

  3. cristiane disse: em 08.10.2015

    Eu deixei tudo para criar minha pequena vale mto a pena e damos valor somente no que precisamos

  4. Ana Seidel disse: em 12.10.2015

    Estamos em linhas opostas… também sou publicitária, larguei tudo pra ficar com meus filhos… mas não ando feliz em ficar em casa, cuidar da casa, dos meus três filhos… te admiro muito e adoro teu blog! Leio sempre e ele me motiva a mudar meu pensamento, a buscar ser uma mãe melhor… Muito Obrigada!

    beijo!
    Ana

  5. Luciana disse: em 27.10.2015

    Lindo!! Estou vivendo isso e estou amando, vale super a pena tudo isso. Dinheiro nenhum paga a paz na sua família.

  6. Gabi Miranda disse: em 30.06.2016

    Sabe que não gosto desse termo…Sim, talvez seja porque eu trabalhe fora. hehee
    Já escrevi sobre isso no blog, mas resumidamente, ninguém deixa de ser mãe só porque trabalha fora. A partir do momento que vc parou, vc é mãe em tempo integral e ponto. 😉

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