Mas isso tudo é exagero!

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cardapio hospitalar

Lanche oferecido pelo hospital a um bebê de 9 meses.

Postei esta foto aqui no Instagram do Blog e compartilhei no Facebook, este foi o lanchinho da tarde que o hospital em que minha filha foi operada, ofereceu para ela. Lembrado que a Olivia tem apenas 9 meses de idade. Antes que alguém pense que foi enviado por engano, já adianto que não foi. A nutricionista responsável passou no quarto, olhou o que foi oferecido e nada disse. Apenas recolheu dando uma desculpa qualquer depois de eu falar algumas verdades na orelha dela.

Pior do que a reação da nutricionista do hospital, foi a de algumas mães. Não me ofendo com o fato delas discordarem das minhas escolhas (recomendadas por especialistas), mas muito me chateia receber críticas à minha conduta, reclamar da página por compartilhar informações e não apenas amenidades diárias.

Vou ser a egoísta da vez! O blog é meu, tenho um carinho enorme por ele e mais ainda por quem o lê, e é por isso que invisto muito tempo tentando obter informações seguras de fontes confiáveis para compartilhar.

 

Vamos ao cardápio do hospital:

 

• Petit Suisse – o famoso danoninho: para quem defende este produto dizendo que não faz mal, sugiro ler o rótulo onde o próprio fabricante alerta que só deve ser consumido após 4 anos de idade. Rótulos precisam ser levados a sério tanto quanto as bulas de remédio.

 

• Suco de fruta em caixinha: em caixinha ou feito na hora, o suco não deve ser oferecido ao bebê com menos de 1 ano de idade. O consumo da fruta feito suco aumente o pico glicêmico no organismo, podendo causar diabetes tipo2 a longo prazo.

 

• Purê de pêra sem açucar: não há nada de errado, mas uma fruta fresca que pudesse ser amassada na hora certamente seria mais gostosa.

 

Gostaria de dizer que assim que entramos no quarto a nutricionista ligou para saber sobre a alimentação da Olivia, para adequar o cardápio à sua necessidade. Respondemos que ela comia fruta, creme de legumes e bebia água, além do leite materno. Mal chegamos do centro cirúrgico e a nutricionista ligou para oferecer uma mamadeira à ela. Por que raios ela ligou na noite anterior mesmo?

No almoço veio uma porção de comida suficiente para 2 adultos e claro que ela comeu 10% daquilo tudo. Papai e eu comemos uma parte. E o restante? Lixo. Pois é, ouvi de uma enfermeira que lá mais de 60% da comida da ala pediátrica, era desperdiçada.

A questão aqui não é o que nós mães decidimos oferecer ou não aos nossos filhos, a questão aqui é muito diferente. Uma nutricionista infantil de um renomado hospital assina um cardápio com tudo o que não se deve oferecer a um bebê. Volto a dizer, não sou eu quem digo que não se deve oferecer tais produtos a um bebê, é o próprio fabricante, é a Sociedade Brasileira de Pediatria, são os nutricionistas infantis especializados, que estudaram, pesquisaram e dedicam-se a trazer informações relevantes para a nossa vida.

Uma amiga médica muito querida me alertou para o seguinte: quando uma criança está doente ou se recupera de alguma intervenção, o ideal é que pouco se mude a alimentação dela. Provavelmente por achar que todo mundo come Danoninho e toma suco de caixinha desde cedo, o hospital oferece. Continua errado, mas entendi a lógica. Como ela mesmo disse, o correto é ter a disposição se solicitado, mas nunca oferecido sem autorização dos pais!

Ou vocês acham que a expectativa de vida aumenta a cada década porque? Será que é porque continuamos consumindo os mesmos alimentos do passado sem nenhuma informação? Não, eu não estou falando dos nossos avós que colhiam as frutas e legumes da sua horta no quintal para o almoço. Estou falando do boom da industria de alimentos que dos anos 80 para cá, não pára de lançar coisas cheias de farinha, gordura hidrogenada, açúcar e corantes com apelo infantil no rótulo, fazendo com que muita gente pense que sim, aquilo tudo ali é comida de criança.

Se você nao sabe o que é comida de criança, leia este post bastante esclarecedor. Tenho certeza que você vai gostar!

Eu não tenho um hábito alimentar exemplar, mas também não ignoro as informações que recebo. Pedro consumia bisnaguinha e amava, assim como eu. Depois que li sobre ela: Bisnaguinha, vilã ou amiga das crianças? Substituí por outros tipos de pães mais frescos, mais nutritivos e saudáveis. O que mudou na minha rotina? Praticamente nada, mas passamos a consumir um pão de melhor qualidade.

Gente, ninguém vai queimar no inferno porque deu algo que não deveria ao seu filho. Mas se nós mães vivemos dizendo que amamos nossos filhos e desejamos o melhor para eles, porque não incluir a alimentação nessa listinha de desejos?

Mais uma vez. Não estou apontando o dedo pra ninguém, não sou a neurótica que o filho não come nada em aniversários e que nunca tomou um suco de caixinha. Sou apenas uma mãe, tentando compartilhar informação a quem ainda não tem. Sou uma mãe que ama os filhos e que deseja o melhor para eles, incluindo a saúde, principalmente a saúde.

Lembrem-se, a criança dificilmente terá algum problema de saúde ligado a alimentação a curto prazo. Mas lá na frente, o sobrepeso, a circunferência abdominal aumentada, o colesterol, triglicérides entre outros, podem aparecer e provavelmente, você não vai lembrar daquele docinho cheio de açúcar que seu filho comeu tanto enquanto era saudável.

Vamos aproveitar o que há de bom na internet, vamos ler mais. Não precisa pesquisar insanamente dia e noite. Para quem curte blogs, existem alguns bem bons que falam sobre alimentação.

2 blogs bacanas para referência e consulta:

Maternidade Colorida

O que houve com a couve

Ufa, é isso gente! Vamos cuidar dos nossos pequenos, sem muitas neuras, mas com muita consciência!

11 comentários

  1. Elisa disse: em 28.09.2015

    Oi Gabi! Sou nutricionista e gosto muito das suas postagens, sempre tão atualizadas e bem embasadas.
    Acredito que a rotina e a correria diária faça alguns pais fecharem os olhos para a composição da alimentação de seus pequenos, mas a longo prazo esse descuido pode gerar problemas de saúde que demandarão muito mais do seu tempo. Parabéns pelo excelente alerta!

    1. Gabriela Gama respondeu: em 28.09.2015

      Obrigada Elisa.

      Vamos a praticidade, mas vamos ler o rótulo né? Só um pouquinho por favor!
      Estou longe de entender de nutrição, mas sei o que o uso contínuo do açúcar causa!

      beijos e obrigada pelo carinho e atenção!

  2. Carolina disse: em 28.09.2015

    Outro dia fiquei chocada ao ser servido para o meu filho de quase 4 anos, suco de caixinha e gelatina em um hospital. Tendo certeza de que todos os hospitais tem uma nutricionista fiquei indignada. Mas pelo visto isso deve ocorrer em quase todos os hospitais.
    Uma vergonha!

  3. Raquel disse: em 28.09.2015

    Achei o fim do mundo oferecerem essas coisas para uma criança recém operada. Não sou nutricionista, mas sou mãe e nunca faria um cardápio desse. Total falta de noção!

  4. Monica disse: em 28.09.2015

    Ví que o conteúdo é relacionado a crianças. Mas passei por uma situação com o meu marido. Ele tem 1,90, é atleta profissional. No hospital que foi internado ele recebeu a ligação da nutricionista e não tinha restrição alimentar e no café da manhã sabe o que ele recebeu com café com leite? Um saquinho de café com leite em pó para misturar com a água quente. Oi?
    Então acho que talvez um grande problema existente nos hospitais é que fica Nutrição x Administrativo.
    Ah, o meu marido reclamou e recebeu o café, e leite de verdade.

  5. Tamara disse: em 28.09.2015

    Olá. Penso exatamente como você. Tive uma alimentação péssima na infância, devido a falta de informação na família e vivia com problemas intestinais. Quando cresci e passei a escolher minha alimentação nunca mais tive estes problemas.Tento fazer o mesmo que você faz, mas outro dia minha filha ficou em observação no PS de um hospital e mandaram alimentos industrializados que ainda não ofereço pra ela, que fará 2 aninhos em novembro.

  6. Paula Chu disse: em 28.09.2015

    Oi Gabi! Eu sou Nutricionista Pediátrica e fiquei com vergonha da colega. Sinto muitíssimo pelo que aconteceu e concordo com tudo o que vc postou. Vc está certa! Eu sempre trabalhei em hospital pediátrica e não libero nem um copo de água sem olhar a carinha do paciente e conversar com a mãe. posso ter mil pacientes internando e JAMAIS ligo, inadimissível. Um beijo e parabéns!

  7. Karoline disse: em 29.09.2015

    Olá Gabriela, achei super interessante sua postagem desde que vi no facebook sobre a alimentação da sua filhinha num hospital após um procedimento cirúrgico. Não sou mãe ainda mas tenho uma sobrinha que nos últimos exames que ela fez deu alterações na glicose e colesterol, justamente por minha irmã achar normal dar tais produtos como os que você citou e até refrigerante a uma criança de apenas 5 anos. Tudo muito bem até você falar que sobre o purê de frutas dado a sua filha, estava correto, porém uma frutinha amassada na hora seria mais gostoso. Então Gabriela, trabalho como copeira/lactarista de um hospital infantil no Rio. Já parou pra pensar que enquanto sua filhinha queria uma coisinha “mais gostosa” pra comer, a criança do lado também poderia querer, e a outra.. E o atraso que causaria nas dietas se a gente realizasse os pedidos de todas as crianças.
    Nós trabalhamos com horários pra tudo, para que as crianças se alimentem bem e na hora certa, mas geralmente não podemos dar o “mais gostoso” porque temos muitos outros pacientes que também precisam se alimentar, temos que optar pelo mais pratico possível, mas também o mais saudável,que é o principal. Até porque é um hospital e não um restaurante. A frutinha amassada na hora não seria o ideal por dois motivos; pela questão de nao dar tempo do “mais gostoso” para todos, e a questão de bactérias, a gente manuseia minimamente os alimentos. Qualquer lugar é propício a bactéria, imagine um hospital. Mesmo com todos as proteções para o manuseio que temos quando fazemos, ainda assim a fruta cozida e amassada sem açúcar para um bebê, dentro de um hospital, realmente seria o ideal!
    Pesquise também, além da alimentação saudável, a rotina da nutrição e cozinha de um hospital, porque assim fica parecendo que não fazem por má vontade, quando na grande maioria não é bem assim.
    E antes de falar o que seria melhor pra esses profissionais fazerem, você também tem que saber o que se pode fazer dentro do possível, pois lá na pratica não é tão fácil. Totalmente errado o danoninho e o suco pra uma criança tão nova, e não sei o que pensaram pra chegar a conclusão de dar esses alimentos pra sua filha. Mas o purê ta mais que certo, e tentar entender que geralmente o “mais gostoso” não da!
    Enfim, só pra você conhecer e tentar entender um pouquinho da dificuldade da nutrição de um hospital. 🙂

    1. Gabriela Gama respondeu: em 29.09.2015

      Karoline, muitíssimo obrigada pelo seu depoimento!

      A papinha de fruta pronta era uma opção e a fruta in natura com um garfo para eu amassar era outra e ainda assim não enviaram a que eu solicitei. Eu entendo que a rotina e a operação de um hospital são gigantes, mas estamos falando de uma cozinha para 20 leitos, especializada e dedicada somente às crianças com 6 ou 8 nutricionistas. Entendo que mesmo assim, precisa haver um padrão. Talvez se eu tivesse recebido outro tipo de alimento, a papinha de fruta que eu frisei tanto que a minha filha não come, tivesse passado batido. É que quando as coisas não estão bem, aquilo que é mais ou menos vira um dragão enorme né!

  8. Juliana disse: em 30.09.2015

    Gabriela, muito interessante seu post! Sou nutricionista de uma unidade pediátrica e sei por algumas colegas como esse cardápio que você recebeu é, infelizmente, comum em hospitais de público de maior poder aquisitivo. O que não deixa de me surpreender, uma vez que se espera que estas famílias sejam mais esclarecidas quanto à importância da alimentação saudável. Mas o que se percebe é uma grande pressão por parte dos pais e consequentemente dos gestores do hospital e demais profissionais da equipe (os próprios pediatras, por exemplo), para que ‘se faça a vontade dos pais e se envie o que eles quiserem’. Enfim, acho que a maioria dos nutricionistas não se sente confortável com isso, mas é ‘forçado’ a fazer. No hospital que trabalho tentamos seguir ao máximos as diretrizes vigentes e oferecer alimentação saudável, embora as crianças venham com erros alimentares graves, muitas vezes seguindo orientações de profissionais de saúde. Mas o que alguns anos de experiência me mostraram é que com uma boa conversa conseguimos convencer (a maioria) dos pais quanto às normas do hospital de restrição de alimentos prejudiciais a lactentes/crianças. Por exemplo, qualquer leite vaca e derivados são terminantemente proibidos para crianças <1 ano. Para isso, claro, é necessário que todos na equipe falem a mesma língua.
    Em geral, a resposta das crianças tem sido bastante positiva também.
    De quebra, espero que as famílias levem consigo, pelo menos um pouco, dos hábitos saudáveis adquiridos na internação.

    1. Gabriela Gama respondeu: em 30.09.2015

      Juliana, espero que os pais de forma geral, possam melhorar a alimentação dos seus filhos. Aqui foi solicitado um tipo de comida e veio outra como se nada fosse. Ignoraram as informações passadas, infelizmente!
      Mas não vamos ser coniventes ao erro, vamos alertar a todos.

      Obrigada pelo seu depoimento!

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