A chegada de uma irmã

Categorias: Desenvolvimento Filhos

Pedro e a irmaSempre desejei que o Pedro tivesse um irmão ou irmã. Sempre tive certeza de que seria o melhor presente que eu poderia dar a ele. Ter um amigo fiel para a vida inteira, coisa que eu não tive mas sempre sonhei.

Pouco antes da Olivia chegar, meu marido e eu procuramos uma psicóloga infantil para entendermos melhor como seriam nossos próximos dias. Foi muito enriquecedor para nós, entender em que momento o Pedro estava e o que deveríamos esperar dele como criança. Em poucos dias ele dividiria o seu espaço com uma pessoa que ele não conhecia, mas que agora estaria junto dos seus pais em todo o tempo.

Pedro que sempre foi um menino tranquilo e que adorava brincar sozinho, passou a exigir mais a nossa presença, sofreu por ter seu  espaço divido e como disse um psicólogo certa vez, ele se sentiu profundamente traído.

Os primeiros meses da Olivia não foram fáceis para ele, aquele garotinho doce e rumo a sua mini independência ainda não falava e sua demonstração de ciúmes, birra, frustração e tristeza, vinha através do choro. Mal sabíamos nós que ele havia perdido a audição e por isso não havia aprendido a falar. Foi muito doloroso pensar que poderíamos ter percebido mais precocemente. Doloroso lembrar do quanto exigimos além da capacidade de compreensão que ele tinha naquele momento.

Já disse outras vezes que a cirurgia de ouvido do Pedro foi um divisor de águas. Em poucos dias, ele havia se tornando um garotinho falante e muito, muito mais desinibido. Hoje, quase 4 meses depois de operado, fala praticamente tudo e vem progredindo diariamente. Seria mentira afirmar que ele não teve um atraso no seu desenvolvimento por causa da audição e fala. Pequeno, mas teve.

Depois das duas grandes mudanças na vida do Pedro. A chegada da irmã e a audição recuperada, ele precisou aprender a lidar com sons, sentimentos, entonação de voz. Descobriu que podia se fazer entender de maneira mais efetiva e que o mundo agora parecia muito mais simples e palpável. Por isso procuramos a ajuda de uma neuro psicóloga e de uma fonoaudióloga especializada em perdas auditivas temporárias.

Aquele doce garotinho que brincava em silencio, que não fazia muita questão da nossa companhia, agora nos convida para cantar, ouvir histórias e brincar junto dele. Ele não conquistou apenas a fala funcional, ele conquistou um espaço maior nos nossos momentos em família.

Minhas atividades são constantemente interrompidas com pedidos de ajuda ou com o famoso: dá a mão mamãe. Nesta hora levanto e acompanho ele onde for.

Meu coração se alegra quando vejo o Pedro fazendo caras e bocas para a Olivia dar risada. Ele ainda não sabe lidar bem com ciúme que sente da irmã, mas tem achado divertido conviver com ela. Agora que ela está mais esperta, ele se diverte mais, as vezes tira o brinquedo da mão dela, mas se ela faz cara de choro ele devolve.

Assim vamos caminhando, aprendendo e ensinando. E que seja sempre assim. Lindo e cheio de amor.

Tudo o que ele precisava, era falar. Precisava ser ouvido e sentir-se acolhido e seguro. Mais do que tudo isso, ser compreendido.

Aqui um vídeo dos dois brincando juntos!

4 comentários

  1. Gisele disse: em 21.09.2015

    Muito legal este texto Gabi!!!
    Perfeito pra mim…pois nossa Maitê nasce agora em Outubro e estou um pouco ansiosa com as mudanças que acontecerão na vida do Bernardo (3anos). Foi bom saber da experiência de vcs e como devemos ter paciencia e copreensão com o maninho mais velho.
    Hj em dia o Bê é muito tranquilo e carinhoso…vamos ver como será.
    Bjos
    Gisele

    1. Gabriela Gama respondeu: em 21.09.2015

      Gi, que a Maitê venha com muita saúde e traga muitas alegrias para a sua família!

      Espero que o Bernardo consiga lidar com o ciúmes que sentirá em breve!

      Beijos e mande notícias da pequena 🙂

  2. Raquel disse: em 21.09.2015

    Nícolas sente muito ciúmes da irmã de quase 3 meses. Mal fala, regrediu desde a minha gravidez. Hoje consultou com otorrino, vai fazer audiometria.

    Beijo

    1. Gabriela Gama respondeu: em 21.09.2015

      Raquel, a audiometria tem sido solicitada como rotina nas crianças de 2 anos, assim como dentista e como oftalmologista.

      É absolutamente normal a regressão, mas aqui a coisa foi um pouco mais séria pq antes disso o Pedro já quase não ouvia 🙁

      Beijinhos e boa sorte!

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