Refluxo, APLV e introdução alimentar

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Sobre refluxo, APLV e introdução alimentar!
Dizem que com o segundo filho tudo é mais fácil, afinal de contas você já tem experiência e está mais desencanada, não é? Não foi bem assim no meu caso. Com a minha segunda filha, Rebeca, nos primeiros meses tivemos sérias intercorrências de saúde, com internações, UTI e muita preocupação. Algumas destas, devido a um forte refluxogastroesofágio e à APLV (alergia a proteína do leite). Coisa que a gente nunca espera.
A turbulência passou, alguns meses se foram e chegou a hora da introdução alimentar. Eu já estava ansiosa! Eu adoro cozinhar, sempre fui ligada em alimentação saudável e tirei essa parte de letra com a minha primeira filha!! Mas por alguma razão a Rebeca não queria saber de comer. Interessante que ela colocava na boca absolutamente tudo que encontrava no chão, mas se notava que era de comer, desprezava. Eu tentava fruta, comida salgada, todos os temperos, todas as texturas, tudo junto, separado, amassado, passado na peneira, dando na colher ou deixando comer com as mãos… Quando entrava alguma coisa ela sentia muita náusea. Uma virose e vários resfriados consecutivos atrapalharam muito e eu já estava apelando pra algo que nunca gostei, papinha industrializada. E mesmo assim, às vezes entravam só algumas colheradas… e com ela assistindo TV! (Eu sei, tudo errado!)

Todo mundo falava, “ah, é assim mesmo… uma hora ela vai começar a comer”, ou “a outra (filha) é a natureba, essa só vai gostar de Mc Donalds”… Mas a Rebeca já estava com 11 meses, passando às vezes dias inteiros só tomando leite e eu estava muito, muito, muito incomodada com aquilo. Até o dia em que ouvi uma mãe dizendo que a filha tinha 5 anos e só comia papinha industrializada. Essa foi a gota d’água, nesse dia eu pensei, eu não vou deixar a Rebeca chegar a esse ponto! A pediatra dela concordou comigo que precisávamos de ajuda e me indicou uma fonoaudióloga especializada em alimentação infantil, que atendia crianças com dificuldades alimentares, a Patrícia Junqueira, do Instituto de Desenvolvimento Infantil, www.institutoinfantil.com.br.
Logo de cara a Patrícia já me acalmou, dizendo que aquela dificuldade na introdução alimentar de crianças com refluxo era muito comum, a Rebeca não era a única. E mais, que eu não precisava ficar “na esperança” de que uma hora ela começasse a comer. Havia técnicas pra ajudá-la a perder aquela sensibilidade oral exacerbada. A Patrícia também me ensinou a prepará-la pra hora da alimentação; para que aquele momento, que era traumático pra ela, virasse um momento gostoso, só nosso, de muita conexção e alegria. Ela me ajudou a organizar a rotina da Rebeca de forma a otimizar as chances dela comer e me passou algumas “tarefas de casa” pra ajudar com a sensibilidade. Outra coisa, foi importante eu entender que pra minha filha, super sinestésica, pegar na comida primeiro era quase mandatório; nada entrava na boca sem antes ela sentir com as mãos, brincar, fazer meleca. E a cada encontro nós tínhamos boas novidades pra contar…
Ainda no primeiro mês de terapia a Rebeca começou a aceitar fruta, depois a comida salgada; tudo lisinho no começo e depois de dois meses já aceitava em pedacinhos. Claro que ela não passou a comer como mágica, houve muitos dias difíceis e quando ela não comia eu ainda ficava muito triste. Mas eu fazia quase que um diário mental e tentava registrar os avanços, colocar as coisas em perspectiva. Eu pensava, “Tudo bem, hoje ela só almoçou, mas há dois meses ela não comia nada!” Eu me policiava pra não deixar o fracasso de um dia tirar a minha disposição em começar tudo de novo no dia seguinte e assim fomos progredindo… Foram ao todo 2 meses de encontros semanais com a fonoaudióloga, até a Rebeca ter alta.

Hoje, com 1 ano e 8 meses a Rebeca já tem uma rotina bem regular de alimentação. Já come praticamente todas as frutas, consegue comer arroz integral, feijão, lentilha, grão de bico, adora ovo e uma carninha! Ela também já come vários legumes, mas a verdura ainda vai misturada no feijão. Mesmo assim eu continuo tentando oferecer de forma criativa alimentos que ela rejeita pra que ela aprenda a apreciar o sabor de cada um.  Na verdade, ninguém precisa gostar de tudo também, né? E mais, ela experimenta e come coisas que nem alguns adultos gostam, tipo goji berry, gergelim… (rs). Vai entender! No final das contas o que importa é que a Rebeca conseguiu se superar e já tem uma alimentação que garante a ela crescer com saúde! Não foi nada fácil, mas valeu cada esforço! Morro de amores pela minha comilona vencedora…
Emili

Emili é mãe da Bárbara de 4 anos e da Rebeca 1 ano e 8 meses!

8 comentários

  1. Rafaela Ancelmo da Silva disse: em 20.06.2015

    Meu filho tem 2 e 2meses e é muito dificil de comer, só quer mamadeira fico desesperada por ele nao comer…Ja fiz várias tentativas mas nada ele não come..Na creche ja estou tecebendo reclamações por ele nao comer.Ele só come quando quer e quando come são só 3colheres de comida…Me sinto uma péssima mãe por nao conseguir que ele coma………

    1. Gabriela Gama respondeu: em 20.06.2015

      Rafaela, Talvez esteja na hora de você procurar ajuda. Com esta idade ele já precisa de uma alimentação balanceada e rica de opções e varidades.

  2. Larissa disse: em 01.06.2016

    Sabe aquela luz no fim do túnel? Foi esse texto para mim! Minha Bianca tem 7 meses e o refluxo nasceu com ela levando a uti com menos de 24h de vida desde 5 meses tento alimenta-la. Aceitou sucos, hj nao mais, aceitou banana e papinha de cenoura uma unica vez e outras coisas comia de colheradas surpresas em frente a tv p depois cuspir ou até forçar o vômito! Todos os dias tento alimenta-la e é frustrante minha mae acha que e preguiça minha e quer fazee comida p ela como se eu nao fizesse, isso só piora o que eu sinto. Sou mãe em tempo integral e me sinto um fracasso por não conseguir alimentar minha filha. Vou procurar uma fono com essa especialidade aqui em Maceió espero achar. Meu sincero obrigada!

  3. Fernanda disse: em 12.09.2016

    Que bom ler seu texto, minha gratidão. Meu filho sempre teve refluxo e com 4 meses foi pra mamadeira. Detestou. Hoje tem 6 meses, não aceita comida e toma mamadeira “na marra”, sempre um sufoco. Ou dou a mamadeira dormindo. Sempre me culpei tambem, ate que tive indicação de uma fono e comecei a tratar semana passada. Fiquei otimista com seu relato. Oro para que Deus nos ajude e que a transição tenha sucesso como você.

    1. Fernanda respondeu: em 12.09.2016

      Só pra ser notificada de respostas por email, tinha esquecido de assinalar 🙂

  4. Fernanda disse: em 12.09.2016

    Voce pode depois explicar melhor como foi o tratamento? Houve massagens? como eram? manobras ou outras coisas?

    1. Gabriela Gama respondeu: em 13.09.2016

      Fernanda, este foi um depoimento de uma amiga. Não sei ao certo como foi o tratamento, mas sei que ela levava a filha na fono e o tratamento dela em terapia durou 2 meses.

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