Meu filho quebrou o nariz

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Eu sempre fui uma criança levada. Subia e descia de arvores como ninguém, jogava futebol, handbol e gastava toda minha energia brincando no quintal de casa ou na casa de algum amiguinho. Essa é a parte boa de não morar em apartamento, morar em cidade pequena, ter casa numa praia tranquila onde todos se conhecem. Eu sinto falta, muita falta da minha infância, de brincar com amigos, de voltar pra casa só quando minha mãe ia gritando meu nome na rua até que eu aparecesse. Por diversas vezes voltei pra casa machucada. Joelho ralado, perna arranhada e até braço quebrado. Minha mãe ficava doidinha comigo. E eu, só queria ser criança, correr pular e brincar.
Agora sou mãe e juro que entendo a minha. Cada vez que o Pedro sai correndo, sobe no sofá, tenta escalar o berço ou corre no quintal do biso, fico pensando em quantas quedas, machucados e arranhões marcarão sua infância. Pois bem, passamos 17 dias de férias na casa do meu avô, onde tinha inúmeras possibilidades dele se machucar correndo, pulando, sendo criança e nada aconteceu.
Há alguns dias, fomos visitar alguns amigos e curtir um sábado de chuva, quando o Pedro correndo, caiu e bateu o nariz numa quina de mármore. Ele não conseguiu colocar as mãozinhas para se proteger. Eu estava com a Olivia no colo e meu marido conversando, quando vi a cena que quase me fez vomitar de tanto desespero. Meu marido pegou ele imediatamente no colo e em 4 minutos já tínhamos preparado gelo, acomodado as crianças no carro, guardado carrinhos e bolsas de bebê e partindo rumo ao pronto socorro. Decidimos que o pronto socorro seria o mais próximo de casa, facilitando nosso deslocamento caso precisasse levar a Olivia pra casa.

Pronto socorro a gente só vai quando é de fato necessário e se fôssemos ser racionais, eu deveria ir pra casa com a pequena e o meu marido deveria levar o Pedro sozinho. Mas ficar longe do meu filho com nariz de batatinha e todo roxo, não me passou pela cabeça. Chegamos de mala e cuia com o Pedro chorando muito. Ao ver a cena a atendente já perguntou o ocorrido, pediu nossos documentos e já nos fez entrar. Fomos atendidos rapidamente e encaminhados para fazer uma tomografia da face.

Papai com toda sua maestria, conseguiu deixar o Pedro imóvel durante o exame e conseguimos fazer de primeira. O resultado demorou quase 2 horas pra sair e já não aguentávamos mais de fome e cansaço. Pelo menos a Olivia estava nos meus braços dormindo tranquilamente, ufa!
O laudo apontou uma possível fratura na base do nariz e o cirurgião pediu que passássemos com um especialista em cirurgia plástica para avaliar melhor. Depois de tantas emoções, bateu fome, cansaço e tudo mais.
Nunca vi meu estomago se torcer com tanta rapidez e nunca imaginei assistir a uma cena como aquela. Foi de cortar o coração. Graças a Deus terminamos nosso dia em casa e com todos dormindo tranquilamente.
Esta semana vamos levar o pequeno num otorrino que também é cirurgião plástico, para fazer uma avaliação mais detalhada. Clinicamente ele está ótimo não sente dor e não reclama. Pelo contrário, corre e pula o tempo todo. De qualquer forma decidimos levar o assunto adiante, pois sabemos da importancia de uma acompanhamento e de uma alta definitiva.
Depois deste susto, decidi comprar uma bomba para tirar leite e deixar disponível para Olivia em caso de emergência. Embora não queira substituir o leite materno e nem a livre demanda, me sinto mais tranquila sabendo que se me acontecer algo ela terá leitinho da mamãe a disposição.

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