O que eu aprendi sobre amamentação

Categorias: Aleitamento Materno Alimentação Depoimentos Mães
Olivia mamando na primeira hora de vida
Este é um assunto delicado para quase todas as mães. Acredito que assim como eu, a maioria não imaginou que amamentar fosse umas das tarefas mais difíceis da maternidade.
Pedro nasceu de 37 semanas, teve cansaço respiratório adaptativo e ficou 36h na UTI. Usou sonda, conheceu a mamadeira antes do leite materno e era muito sonolento para mamar. Fomos para casa sem nenhuma experiência no assunto, com algumas receitas prontas do pediatra do hospital e com muitas coisas a resolver em paralelo à chegada do primogênito. Segui todas as receitas, horários e dicas de quem se dizia entendido mas que no fim nunca conseguiu amamentar um filho, minha mãe foi uma delas. Não que essas pessoas sejam melhores ou piores, mas todo mundo sabe que na maternidade o que há de mais frequente são os pitacos e conselhos alheios, além dos comentários azedos e desnecessários muitas vezes.
Pedro na fase de relactação
Foram 2 meses de leite materno e leite artificial, uma dúvida constante sobre continuar amamentando ou abrir mão e deixar a mamadeira tomar o lugar de vez. Nada contra a mamadeira, sou até fã dela em diversos casos, mas todas sabemos que o leite materno é o que há de melhor para a saúde, desenvolvimento e vinculo entre mamãe e bebê. Passado este período inicial comecei a ler e observar aquelas que amamentavam em livre demanda e não tinha problema com a tão temida falta de leite e o bebe chorando de fome. Desta época até os 10 meses e meio, Pedro mamou exclusivamente leite materno. Consegui fazer a relactação e me sentir mais do que poderosa por isso. Na época percebi o quão despreparada eu estava e como eu precisava amadurecer isso tudo na minha cabeça. Foi bom, valeu a pena. Foi justamente o assunto amamentação que me fez criar o blog. O post inaugural fala sobre todo este processo. (Leia aqui)
Desde que descobri a gravidez da Olivia, decidi que seria uma boa oportunidade para seguir meus instintos, meu coração e cuidar da pequena da melhor maneira possível. A amamentação era meu maior medo. Durante a gestação, convivi com amigas que haviam acabado de ter filhos e eu fui uma enorme incentivadora do aleitamento materno, coincidência ou não, as 3 amamentam seus pequenos e todos são lindos e bolotinhas.
Olivia nasceu e depois de uns minutos de vai não vai pra UTI, ela foi trazida até meu leito e eu a amamentei. Foi lindo, ela estava prontinha e mamou direitinho sem precisar de grandes ajudas. A partir daquele momento decidi que não daria ouvidos aos conselhos azedos, opiniões alheias, protocolos do hospital. Seguiria somente o meu instinto materno. Meu leite desceu no terceiro dia e a pequena praticamente não perdeu peso ao nascer. Fomos pra casa sem nenhuma dificuldade com o assunto amamentação.
Olivia hoje, pouco antes do post
Olivia hoje está com 18 dias e mama feito a Magali, tá uma bolotinha fofa e dorme super bem entre uma mamada e outra. Me sinto extremamente realizada por poder amamentar em livre demanda e por entender que para amamentar é preciso abrir mão de muitas coisas…
O que aprendi com essas duas experiências?
• Que o instinto materno e mais forte do que qualquer receita pronta.
• Que as horas já não são mais contabilizadas e que a mamada dura o quanto for necessário e quantas vezes forem necessárias.
• Que o fato de não vazar leite do meu peito e ele não ficar dolorido por estar cheio, não significa que eu não tenha leite suficiente.
• Que as pessoas são ótimas em dar dicas e tem receitas mirabolantes para amamentar, mas que muitas delas sequer tem filhos ou amamentou os seus.
• Que as pessoas ficarão surpresas por ver alguém conseguir amamentar exclusivamente sem recorrer à mamadeira e que por isso farão comentários desagradáveis ou darão inúmeros exemplos de amamentação mal sucedida.
• Que todas as mulheres que desejam de fato amamentar, devem procurar alguém especializado no assunto, seja uma especialista ou um banco de leite que te ajuda sem cobrar nada.
• Que para amamentar, teremos que estar preparadas para os olhares atravessados no shopping quando estivermos com o peito de fora, que estaremos sempre com um sutiã longe de ser sexy e que estaremos mais a disposição do bebê do que de nós mesmos.
• Que infelizmente a maioria das mulheres saem do hospital com prescrição de fórmula sem sequer saber realmente se conseguirá ou não amamentar.
• Que muitas mulheres não amamentaram por falta de apoio, incentivo e insegurança.
Todas as mulheres tem leite? Este post foi extremamente decisivo na minha decisão de relactar o Pedro, e foi muito, muito esclarecedor. espero que outras mães que desejam amamentar seus filhos possam achar inspiração por aqui.
Este post não é um julgamento, é apenas um relato do que aprendi sobre a amamentação, do nascimento do Pedro até aqui.

2 comentários

  1. Denise disse: em 24.12.2014

    Gabi, acho o máximo ler esses comentários pq amamentação nunca foi um "problema" pra mim. Só tive um filho, como vc sabe, e ele sempre mamou no peito, desde q veio para mim no hospital. Fui entrar com leite artificial só qdo precisei trabalhar e não conseguia tirar o suficiente para as 12h q ele passava no berçário. A primeira semana de amamentação foi dificil pq eu sentia dor da puxada, mas logo acostumei e amamentava até quase dormindo kkkk Foi muito gostoso ter esse contato com ele por 5 meses e eu super recomendo. Acho q vc está certa qdo diz para seguir os instintos. Nunca dei mta bola pro q falavam não, pq é só vc dizer q tá grávida q vem um monte de gente te falar pra fazer isso ou aquilo. Sempre segui minha vontade e meus instintos e deu Td certo. Beijo enorme pra vc e pros seus anjinhos.

  2. Jana Bevilacqua disse: em 30.12.2015

    Passei exatamente pelas mesmas dificuldades. Hoje me sinto super guerreira por ter conseguido. Não é fácil sem apoio e com todo mundo te puxando pro outro lado, né?

    Parabéns! 🙂

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