Os absurdos que vivi na maternidade!

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Eu já sabia que não podia esperar aquele mega atendimento na maternidade que escolhi pra o nascimento da Olivia, dada a experiência que tive no mesmo lugar no nascimento do Pedro. Antes que me perguntem porque topei repetir a dose, a resposta é uma só: queria doar as células tronco do cordão umbilical da Olivia, assim como fiz com o Pedro e este era o único hospital a coletar para o banco publico.
Não vou lembrar de tudo com detalhes, mas certamente o parto dos meus dois filhos não teve nada de humanizado. E parto humanizado não significa parto em casa, natural ou normal, significa pura e simplesmente humanizado, independente do que foi escolhido. Pedro nasceu de cesariana com 37 semanas onde eu decidi escolher a data que ele iria nascer, embora tenha sido uma escolha minha, respeitada pelo meu marido e pela minha obstetra. Tive pré eclampsia na primeira gestação e um longo período de pressão alta na segunda que foi controlada por remédios. Olivia nasceu de 38 semanas e um dia também de cesariana, mas dessa vez eu já estava em trabalho de parto. Há 3 semanas que eu vinha tomando um inibidor de contrações para que a pequena não nascesse antes do tempo. Foi uma gestação tranquila em termos de saúde mas a disposição era quase zero.
Cheguei ao hospital com 2 horas de antecedência, abri a ficha e para a minha surpresa estava tudo tranquilo e eu já tinha até um quarto me esperando. Pensei comigo: que ótimo, posso deixar tudo arrumadinho e organizado antes da Olivia nascer. Entre preencher ficha, entregar autorização para fotografo externo, assinar papeis e avisar o andar da maternidade que eu já poderia ir para o quarto aguardar, foram-se 15 minutos. Avisei logo na recepção sobre a doação de células tronco, e a atendente me disse que logo uma enfermeira me abordaria sobre o assunto. Enquanto aguardo para ir ao quarto, chega uma mocinha com cara de mosca morta e poucos amigos, falando brevemente sobre a doação de células tronco e preenchendo o questionário como se fosse um robô. Me lembro da doação do Pedro que foi super bacana, a enfermeira explicou tudo, me aconselhou a falar da experiência para as amigas para incentiva-las a fazer o mesmo e na sala de parto me mostraram a bolsinha de sangue que haviam recolhido. Eu não esperava nenhum troféu por isso, mas tinha em mente que seria no mínimo bem recebida pela tal enfermeira. Acho que se eu estivesse em dúvida sobre doar ou não, provavelmente a mocinha não teria conseguido me convencer a fazer a doação. Passados 40 minutos fomos perguntar sobre o enfermeiro que os acompanharia até o quarto, pois ele simplesmente não apareceu. 2 minutos depois, lá estava ele como se tivesse nos esquecido.
Entra e sai de gente no quarto, arruma daqui e dali, e lá fomos nós para o centro cirúrgico. Enquanto eu estava na sala pré parto, meu marido em vez de curtir os últimos minutos da Olivia na barriga, estava às voltas com a liberação da fotógrafa. Embora eu tenha enviado um email e preenchido todas as fichas solicitadas, nenhuma delas tinha validade, uma nova autorização precisou ser preenchida. Se eu soubesse, não teria preenchido tantos papéis com tamanha antecedência. Não vou comentar muito sobre a venda casada do serviço de fotos porque eu me estenderia muito, mas para levar um fotografo de fora é preciso pagar uma taxa ao hospital.
O parto foi tranquilo, Olivia nasceu gordinha e deliciosamente saudável, pude vê-la e comemorar a alegria de aumentar a família junto com meu marido. Enquanto estava me recuperando da cesárea, pedi que me trouxessem ela para amamentar, trouxeram ela e eu me senti emocionada por ver minha filha prontinha para mamar e extremamente aconchegada no meu peito. Alegria que durou pouquíssimos minutos já que a enfermeira estava preocupada com o transporte que já havia chegado e aguardava para nos encaminhar ao andar da maternidade. Melhor nem comentar a fundo o mega banner logo na recepção do centro cirúrgico falando da importancia da amamentação na primeira hora de vida do bebê. quando me lembro, tenho vontade de voltar no tempo e não deixar nos separarem tão rapidamente.
Pelas minhas contas, Olivia chegaria no quarto por volta das 13h quando todas as avaliações já teriam sido feitas. O ponteiro gira, gira, gira e nada dela chegar. Quando meu marido e minha mãe começaram e ir até o berçário de 5 em 5 minutos, aparece a pediatra, talvez a única pessoa humanizada naquele hospital. ela calmamente nos conta que a Olivia está entre a liberação e a UTI por cansaço respiratório. Pensei comigo, de novo? Ela me explicou que a gemência da pequena estava associada a hipotermia causada pelo banho dado no berçário. Nada contra o banho, contanto que ele seja dado no centro cirúrgico, lugar quentinho pra ela. O berçário é frio e desconfortável para os bebes. Perguntei porque haviam dado banho nela lá, e a pediatra timidamente me disse que é um protocolo mais social do que de saúde. Segundo ela muitas mães reclamam quando o filho chega sem banho e dizem que não estão bem para receber visitas. Fico pensando que tipo de mãe é essa, mas é melhor não exteriorizar o que penso. Preciso dizer que quis matar um? Respondi calmamente que dada a informação, que eles tivessem me perguntado se eu queria um filho respirando bem ou se eu queria um filho cheirando a sabonete. Bati o pé e disse que não deixaria levar a Olivia pra UTI, que ela deveria vir pro quarto e ficar coladinha em mim até que sua temperatura aumentasse e ela respirasse melhor. Como disse a pediatra foi a única humanizada do hospital e se propôs a acompanhar este processo por 45 minutos, para então decidir se deixaria ela comigo ou se a mandaria pra UTI. Instinto de mãe funciona, Olivia ficou quentinha e parou de gemer. Mamou feliz da vida e foi liberada para ficar no quarto comigo.
Dia seguinte, entre uma visita e outra, deixei a Olivia com o marido para faze-la arrotar, quando ela vomitou e engasgou na sequencia, Sayto calmamente fez a manobra de heimlich (para desengasgar o bebê) e levou ela para o berçário para que pudessem avalia-la. Quase uma hora depois volta a enfermeira dizendo que ela havia vomitado novamente e que por isso o berço estava inclinado. Ela me perguntou de quanto em quanto tempo Olivia estava mamando. Respondi que não estava preocupada com o relógio e que mamava sempre que tinha necessidade de sugar ou de estar comigo. A enfermeira prontamente me disse q eu estava fazendo tudo errado e por isso ela havia se engasgado. Segundo ela o protocolo correto de amamentação é oferecer 10 minutos cada mama a cada 3 horas. Respondi calmamente que este protocolo não funcionara com meu filho mais velho o Pedro e que por isso dessa vez faria diferente. Ela muito ríspida respondeu que este era o protocolo geral para todas as mães lá internadas que eu havia sido avisada, logo se algo de errado acontecesse eu deveria me responsabilizar pela decisão de amamentar em livre demanda. Oi? Fiquei me perguntando se eu havia ouvido aquilo mesmo ou se eu tava sob efeito tardio da anestesia.
Dia seguinte, quando eu pensei que estava livre, chegou a hora de fazer fototerapia na Olivia. Ela havia incompatibilidade ABO, que é quando o filho tem o sangue do pai e reage contra o da mãe (algo assim) e por isso a bilirrubina fica aumentada. As enfermeiras tentaram me convencer de todo jeito que seria mais confortável pra mim deixar a minha filha no berçário para poder descansar. Fiquei pensando comigo: não quero descansar, quero cuidar da minha filha, além de não querer deixa-la sozinha chorando sem poder acalenta-la. Deu certo, a maquina de foto ficou lá no quarto e dormi confortavelmente sob a luz azul ao lado da minha cama.
Dia da alta, nada muito anormal… só o pediatra liberando a nossa saída falando da importância da amamentação em livre demanda e da importância de ter um pediatra de confiança. Ufa, saímos de hospital direto pra casa, onde todos ou quase todos são bem normais.
A ideia deste post não é denegrir a imagem do hospital, mas apenas esclarecer o que a indústria do consumo faz conosco. As pessoas estão tão preocupadas em cumprir suas metas e protocolos que deixam de se preocupar com o próximo e suas reais necessidades. Hoje entendo o desejo de tantas mães que sonham em ter um parto humanizado e que desejam ser ouvidas. Se fui tratada assim e ainda pior no nascimento do Pedro em um mega hospital particular, como andam o atendimento nas demais maternidades privadas e públicas?
Olivia é minha caçula, segunda e última filha, por isso não precisarei vivenciar as barbaridades relatadas acima novamente e desejo profundamente que outras mães tenham experiências e momentos melhores do que os que eu tive nos primeiros dias de vida do Pedro e da Olivia.
Evito textos tão longos, mas esse não deu pra resumir! Bjs mamães =)

2 comentários

  1. Ana luiza disse: em 27.03.2017

    olá,
    você tem algum postado falando sobre a pré eclampsia? se não, pode nos contar mais um pouco como foi? eu tive na gestação do meu primeiro filho, e quero engravidar de novo mas tenho muito medo de ter novamente e avançar para um quadro mais grave. beijks

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