Criando um filho na cidade grande

Categorias: Comportamento Mães
Presenciei um assalto pela primeira vez em 2001, quando tinha 19 anos e iniciava minha carreira como publicitária. Me lembro como se fosse hoje. Estava na avenida 23 de maio voltando de uma reunião em São Paulo, quando dois moleques jogaram uma pedra no vidro de um carro e levaram a bolsa da mulher que dirigia. Na época meu chefe ligou para a polícia e relatou o caso, logo em seguida um táxi encostou para ajuda-la e nós seguimos em frente. Nesta época tudo parecia aventura e eu não tinha a mínima ideia de me mudar para a metrópole.
Depois de 4 anos do ocorrido, mudei de mala e cuia para São Paulo com a expectativa de novas oportunidades de trabalho e determinada a fazer um pé de meia. A cidade parecia perfeita para isso. O tempo passou, mudei de emprego, mudei de bairro, comprei carro e partir daí as dores de cabeça começaram. Vidro do carro estourado, rádio roubado, pneu furado, estepe furtado e o medo começou a me rondar. Alguns anos depois conheci meu marido e na sequencia fui trabalhar em Alphaville – Barueri, foram 3 anos indo e vindo pro trabalho no meio do transito caótico, até que resolvemos comprar um apartamento em Barueri onde moramos atualmente.
Mesmo ao lado da maior cidade do país, temos muito mais segurança, muito menos transito e uma vida um tanto mais tranquila. Foi uma escolha que deu muito certo. Aqui a gente conhece os vizinhos, faz amizade com as pessoas, passeia, caminha pela rua e fica parado num farol vermelho sem quase infartar de tanta tensão. Passei a perceber que aqui já é um lugar muito melhor pro meu filho crescer e criar laços, mas na semana que passou me deparei com a realidade nua e crua.

Fomos pro sul comemorar o aniversário do meu avô e deixamos o Pedro com a vovó (fiz um post sobre isso, se quiser ler, clique aqui) e por alguns momentos relembrei com grande intensidade a minha infância. Quintal grande ao redor da casa, muro e portões baixos sem cadeados e correntes, vizinhos indo e vindo sem tanta formalidade e um ar muito mais puro do que o que respiramos por aqui. Voltamos com o coração partido de deixar nosso pequeno filhotinho com a vovó e longe de nós, mas depois me peguei pensando que quando ele voltar e passar parte do dia preso dentro de um apartamento, com horários, regras e várias restrições em prol da sua segurança, certamente sentirá falta da casa e da liberdade que teve lá junto da vovó.
Nunca gostei de Joinville e até antes de ser mãe, nunca pensei em voltar a morar naquela cidade tão provinciana e até um pouco bairrista. Hoje, tudo que eu mais queria era ter um emprego por lá e poder desfrutar da tranquilidade que é uma cidade menor e poder contar mais facilmente com a família.
Muita gente diz que São Paulo é a terra das oportunidades, que aqui tem tudo, o tempo todo e pra todo mundo. Fato que podemos ir ao shopping, ao parque, ao teatro, ao zoológico e tantas outras coisas, mas não podemos andar descalços no nosso jardim sem a preocupação com a segurança, sem pensar na hora, nas regras e nos inúmeros compromissos que uma cidade grande te enfia goela abaixo.
Dizem que depois que temos filhos as prioridades mudam, os medos, os anseios e as angústias também, e com certeza somos capazes de abrir mão de qualquer coisa pelo conforto e segurança dos nosso filhos. Depois de tanta violência, deixei de circular em São Paulo sozinha com o Pedro no carro, principalmente nos horários de pico. Tentei organizar minha vida toda em Barueri e tento ir o mínimo possível pra cidade grande.
Desejo que meu filho ainda em sua infância possa comer fruta do pé, possa correr e brincar sem pensar em televisão e ipad, possa sentar e fazer castelos de areia e que tenha uma infância tão memorável quanto a minha. Enquanto tocamos nossas vidas por aqui, Pedro certamente passará muitas outras férias na casa da vovó.

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