Amamentação e volta ao trabalho

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Amamentação e volta ao trabalho. Este é um assunto o qual sempre quis falar. Nunca escrevi, porque na gestação do Pedro eu tinha tantos dias de férias, que mesmo com a licença maternidade sendo de apenas 4 meses, consegui voltar ao trabalho quando o Pedro completou 6.

Já adianto que 2, 4 ou 6 meses é tudo igual, quando o assunto é a saudade que sentimos dos nossos pequenos. Tive o privilégio de contar com a Val como babá, que trabalha comigo há quase 10 anos, além de morar ao lado do trabalho e poder almoçar em casa todos os dias.

Escolhi deixar o Pedro em casa, para poder respeitar a sua rotina. Eu amo estar em casa e o Pedro parece gostar muito de estar no seu ambiente. Nada contra berçários e afins, mas nos preparamos e optamos por esperar até os dois aninhos de idade para coloca-lo em uma escola. Poder ir em casa na hora do almoço, ajudou muito a matar a saudade e seguir com a amamentação mais um tempo. Depois de 3 meses e meio de volta ao trabalho, o Pedro resolveu desmamar por conta própria. O desmame natural é muito bom, ninguém tira nada de ninguém e o bebê não sofre.

Agora na segunda gestação, acabo sempre comparando as situações entre o Pedro e a Olivia, além de dividir anseios e experiências com outras mães e gestantes. Um dos assuntos que me assombra um tanto é a amamentação. Foi muito difícil amamentar, não tive grandes apoios e muitas vezes pensei em desistir. Mas sei lá o que me deu, fui abençoada com uma paciência incrível (quem me conhece sabe exatamente do que estou falando). Amamentei até os 10 meses e meio e me senti feliz por ter conseguido.

Tudo que leio sobre nascimento e aleitamento materno, inclui a recomendação sobre a amamentação exclusiva até os 6 meses de idade. Mas isso parece ser a coisa mais incoerente na vida de uma mãe. No Brasil a licença aprovada é de apenas 4 meses, isso se a mãe conseguir trabalhar até os últimos dias, pois se ela tiver que ficar de repouso, terá direito a 15 dias de atestado e o restante lhe será descontado da licença maternidade. Vejo mães desesperadas por terem ficado de repouso e ter de retornar ao trabalho com o filho de apenas 2 ou 3 meses em casa.

Muitas não tem com quem deixar e precisam confiar os cuidados de um serzinho tão frágil a um berçário. Não posso imaginar o coração de uma mãe nessas horas. Importante lembrar, que o obstetra pode pedir 15 dias de licença amamentação, mas que nem todas as empresas aceitam, pois sai do bolso delas estes dias de “folga”.

Outro contra senso, é encontrarmos com certa facilidade alguns tipos de leite que são oferecidos pelo governo, mas nunca encontrar um grupo de apoio ao aleitamento, à disposição das inúmeras mães que sofrem para amamentar. Muitas vezes, elas não sabem como agir com seus recém chegados bebês.

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Seria muito melhor, se as empresas concedessem os 6 meses de licença maternidade e se tivéssemos à disposição, mais grupos de aleitamento materno. Seria melhor ainda, se pudéssemos sair tranquilas para termos nossos filhos e tivéssemos uma estabilidade no emprego, maior do que os 5 meses pós parto que é quando voltamos de licença maternidade. Muitas são demitidas antes mesmo de voltarem das férias, quando emendam com a licença, o que nos deixa ainda mais ansiosas com a volta ao trabalho. Hoje entendo perfeitamente a mães que deixam em segundo plano, suas vidas profissionais para cuidar dos seus.

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