Crianças com tablet no restaurante

Categorias: Educação Filhos
Fonte: Pinterest
Em um domingo qualquer, fui com o marido, almoçar numa batataria deliciosa que tem próximo anossa antiga casa. Na mesa ao lado havia uma família, pai, mãe e dois meninos que conversavam alegremente sobre suas coisas. Enquanto o almoço não chegava, brincavam de forca e de jogo da velha alternadamente. Os quatro, estavam ali fechados em seu maravilhoso mundinho da criatividade, como se não houvesse nada mais interessante no mundo. Eu fiquei encantada com aquela cena e desejei imensamente um dia por sentar-me à mesa e brincar com meus filhos daquela forma.
O tempo passou, o Pedro nasceu e aquela cena nunca saiu da minha memória. Prometi a mim mesma que faria o possível para que o Pedro tivesse uma infância com muito mais brinquedos e brincadeiras e muito menos tecnologia. Hoje com 1 ano e 4 meses, percebo o quanto ele e tantas outras crianças ficam fascinados com os tablets e celulares. tentamos sempre oferecer outros brinquedos e evitamos ao máximo o celular na mão, mas tem dias que não tem jeito. Ele quer apertar o botão do iPhone, fato.
Eu sou péssima pra separar brinquedos na hora de sair, levo tudo, menos os brinquedos, então usamos a chave do carro, um giz de cera e um papel do próprio restaurante e nos últimos dias a novidade é brincar com o suco de caixinha e o canudinho que vem com ele. Ele passa nosso almoço inteiro entretido, enquanto almoçamos, ou tentamos almoçar tranquilamente.
O que tem me chamado a atenção nos últimos tempos é que, no restaurante entram os pais, os filhos e as bolsas. Enquanto as crianças decidem onde sentar, os pais estão extremamente ocupados tirando os tablets da bolsa, ligando e rapidamente escolhendo algo que prenda bastante a atenção dos filhos. Os pais seguem conversando normalmente entre eles a única interação com as crianças é quando precisam de alguma ajuda com o tablet. Os pais escolhem o que os filhos vão comer já que estão tão entretidos que mal piscam. Também reclamam se os filhos pedem atenção ou querem lhe contar algo que para eles é muito, muito interessante. Muitas vezes os pais desconversam e se desinteressam rapidamente, afinal a conversa de adultos é muito mais interessante. Crianças no restaurante são chatas, já ouvi isso inúmeras vezes de pais sem nenhuma paciência.
Fico me perguntando que tipo de criação planejamos uma vida inteira e que tipo de criação realmente estamos dispostos a oferecer aos nosso pequenos? A infância é um período tão curto,que quando abrirmos os olhos, eles estarão na adolescência e pouco mais adiante indo embora de casa (mamãe dramática). Será que não vale a pena investirmos tempo, conversar, brincar, criar coisas juntos?
Adoro dizer que a Galinha Pintadinha não ganhou espaço aqui, mas os desenhos animados, filmes infantis, cantigas de roda e até mesmo o celular e o tablet fazem parte da infância do Pedro. A diferença é que aqui, brincar se tornou muito mais interessante do que assistir TV, desenhar e tentar colocar o canudinho na caixa de suco, tem sido mais desafiador do que desbloquear o celular. Fico feliz em poder dedicar um tempo saudável ao Pedro e adoro quando encontro mães amigas no mesmo ritmo. Significa que nossa infância, tão diferente da de hoje, foi tão boa que queremos apresenta-la aos nossos filhos.
A Jeane Avellar do Blog Meu Filho Usou, frequentemente posta idéias criativas de brincadeiras, caixas que ela personaliza e como faz o pequeno Heitor participar e ajudar a criar as próprias brincadeiras. Ela tem me inspirado bastante, embora trabalhos manuais tá longe de ser meu forte.

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