Alergia alimentar múltipla do Pedro Henrique

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Pedro Henrique
Meu filho Pedro teve alergia a Penicilina e a corante vermelho. Uma alergia teoricamente tranquila já que quando falamos de medicamento, todo mundo leva a sério. Passei a acompanhar o projeto Põe no Rótulo, por entender a importância das informações nos produtos. Vários amigos são alérgicos ou tem filhos alérgicos e muita gente parece não se importar muito quando o assunto é comida. Vejo diariamente mães desesperadas tentando tratar um filho alérgico enquanto a família despreza a importância de seguir uma dieta rigorosa quando o assunto é alergia alimentar. Algum tempo depois que o projeto foi lançado, vi que um casal de amigos vizinhos tinham em seu perfil a foto do projeto. Conversando com eles descobri que o Pedro Henrique um menino pra lá de fofo, “rapinha” do tacho deste casal, tem alergia alimentar múltipla.
Como diz o pai do Pedro Henrique, a mãe dele, Luciana a quem chamamos carinhosamente de Lú, já é PHD em alergia alimentar. Pedi que ela gentilmente escrevesse sua estória e as dificuldades encontradas até aqui. É um relato suscinto, bem resumido, mas que nos dá uma dimensão do quanto é difícil tratar alergia e mais difícil ainda, fazer as pessoas entenderem a gravidade do assunto. Espero que ajude outras mamães em desespero e que aumente ainda mais a divulgação do projeto!
A estória…
Depois de uma primeira gravidez saudável e feliz, tive uma filha que era um anjo em forma de criança aqui na terra…depois que ela nasceu, tudo o que eu mais queria na vida era ter um segundo filho, chegava a sonhar com isso….

Então depois de 7 anos, depois de mais uma gravidez saudável e feliz, nasce meu pequeno príncipe Pedro Henrique.
Pedro até 3 meses foi um bebe muito tranquilo, aos 20 dias já dormia quase a noite toda, só acordava uma vez para mamar, tinha uma rotina diária e tudo estava indo bem, até que na consulta de 3 meses, fui informada pelo pediatra que o Pedro não estava ganhando peso satisfatoriamente, ele pediu pra que eu complementasse as mamadas com leite artificial; sinceramente, hoje olhando pra trás, não sei aonde eu estava com a cabeça pra seguir essa orientação, afinal meus planos era seguir com amamentação exclusiva até os 6 meses.

Depois de três dias da introdução do leite artificial, numa manhã enquanto trocava o Pedro, percebi que suas duas mãos e seus dois pés estavam inchados, muito inchados…corri para o consultório do pediatra, que pra minha felicidade ou não ficava a três quadras de casa, e ele me diz que não! Não era reação ao leite artificial, e que talvez fosse algo ligado aos rins, me pediu alguns exames e que retornasse na semana seguinte! Acreditem se quiserem, e olha que ele era bem conceituado na região…pois bem saí dali direto para o pronto socorro, que era longe, muito longe, mas de confiança….

No pronto socorro, fizeram todos os exames possíveis e confirmaram que não era nada com os rins do meu pequeno, e a pediatra plantonista afirmou que era sim reação alérgica, pediu que eu parasse com o leite e assim fiz, mas o estrago já estava feito, depois disso meu filho nunca mais foi o mesmo, aquele bebe tranquilo, se transformou em um bebe irritado, choroso, inquieto, fezes cheia de muco e mal cheirosas ao extremo, não dormia mais nem de dia e muito menos a noite, e eu na minha santa inocência, achava que era fome, dor, manha, tudo…menos reação ainda ao leite, afinal já tinha parado com as mamadeiras e ele estava só no leite materno.
E assim foram se passando os meses, eu estava cada vez mais estressada, fisicamente e emocionalmente acabada, troquei de pediatra, comecei a introdução sólida da mesma forma que fiz com minha primeira filha, mas nada do que fizesse adiantava, o Pedro continuava a chorar, não dormia direito, fezes horrorosas, era irritado demais….o novo pediatra, outro que também era conceituado, descartou uma possível alergia ao leite, e eu segui com minha alimentação habitual, cheia de leite e derivados, eu não sabia e nem fui orientada a fazer dieta de exclusão, e continuei a amamentar meu filho.

Quando ele estava com 7 meses, teve contato com um purê de batata que tinha sido feito com o leite, e reagiu, com placas vermelhas e inchaço, dias depois, eu mesma encostei chocolate no rosto dele e novamente inchaço, placas vermelhas, olhos lacrimejantes, se o pai o beijasse depois de um copo de café com leite ,em segundos lá estava o rosto com placas vermelhas e os olhinhos inchados…..e diante desses episódios e depois de muita insistência minha o pediatra resolveu solicitar um exame (rast para leite de vaca).

Quando o exame ficou pronto e entreguei para o pediatra, ele com a maior cara lavada, me olha e diz: é realmente ele é alérgico! Mesmo assim, não me orientou fazer a dieta e eu continuei amamentando…mais uma vez me pergunto, aonde eu estava com a cabeça…
Quando Pedro estava com 1 ano e 4 meses, eu já estava sem dormir uma noite inteira há um ano, estava exausta e decidi por conta parar com a amamentação, ele já se alimentava bem, e a única restrição era o leite, introduzi o leite de soja e de um dia para o outro parei de amamentar, três dias depois a paz voltou a reinar em casa, meu bebê tranquilo estava de volta, não tão bebê assim, e pela primeira vez na vida Pedro fez um cocô bonito, rsrsrs (só mãe de alérgico sabe o que é isso)…
Depois de um mês na soja, Pedro já não acordava mais a noite para mamar, e assim depois de um ano e dois meses, pude enfim dormir uma noite inteira.

Quando Pedro estava com 3 anos, tudo parecia bem, ele era tranquilo e a dieta de restrição ao leite de vaca ia bem, ele não era um menino que pedia o que os outros comiam, então era fácil sair com ele pra qualquer lugar, pois eu sempre levava a bolsa térmica com as coisinhas dele e tudo bem, já frequentava a escola a mais de um ano, estava super saúdavel, os exames de rast indicavam apenas alergia a proteína de leite de vaca, e o controle semestral mostrava que o grau da alergia estava baixando, era bom demais pra ser verdade….

Nessa mesma época, ele começou a reclamar de dores abdominais depois de todas as mamadas e refeições, não estava comendo bem, não se interessava por comida de nenhum tipo, era triste demais vê-lo reclamando sempre de dores, dizia que a barriga doía, o coração doía, a garganta doía…Procurei uma alergista e uma gastropediatra na época e fizemos alguns exames, nada de novo, nenhum diagnostico e meu pequeno continuava a sofrer…

Foi nessa época, que pela primeira vez resolvi investigar por conta os sintomas, fui pesquisar sobre a alergia na internet, passei noites lendo muitas coisas, e descobri o quanto tinha feito de errado, em vão, o quanto mal orientada fui pelos profissionais que até então tinham passado pela nossa vida….durante minhas pesquisas encontrei um grupo no facebook, chamado “Amigas da Alergia”, nem sei como cheguei até ele, só sei que fui aceita no grupo e foi a melhor coisa que podia ter me acontecido, fui muito bem recebida e orientada, fiz amigas virtuais que valem por uma mãe, pela primeira vez estava entre pessoas que não me julgavam, que sabiam que todo o cuidado que tinha com o meu filho não era neura e nem frescura…foi através desse grupo que consegui marcar consulta com uma das melhores gastropediatras, e sim foi ela que fez o diagnóstico correto!

Meu filho precisou fazer endoscopia com biopsia, e novos exames de rasts, e vieram os resultados. Além da alergia a proteína do leite de vaca, agora alergia a proteína da soja, ou seja, ele não era alérgico a soja, mas depois que começou a tomar desenvolveu, então depois de 2 anos tomando leite de soja, tivemos que trocar o leite, tirar tudo de soja e derivados, descobrimos também que ele é alérgico a clara do ovo, então com quase 4 anos tivemos que nos readaptar a uma nova dieta de exclusão, sem leite, sem ovos, sem soja e todos os seus derivados…e pra completar a endoscopia mostrou que meu filho tem EoE, Esofagite Eosonofilica, que é uma inflamação no esôfago causada pelo aumento de eosinófilos (células de defesa do organismo), por isso as dores que ele dizia ser no coração, na verdade era a queimação causada pela esofagite, tratamento longo, longo, que inclui endoscopia a cada 6 meses pelo menos.

Nessas minhas pesquisas infinitas pelas madrugadas a fora, com muita insônia causada pela preocupação sobre a saúde do meu filho, encontrei um outro grupo de mães de alérgicos, e hoje faço parte do “Tips4APLV” , traduzindo fica assim: Dicas para Alérgicos a proteína do leite de vaca, onde encontro muito apoio das outras mães, dicas e  receitas adaptadas, é uma verdadeira família virtual, e real também, sinto-me muito grata por fazer parte desse grupo, onde dividimos nossas tristezas, frustações, mas onde também encontramos muito amor, solidariedade, apoio, dividimos alegrias e vitórias de cada “mamãe tipete”.

E assim seguimos nessa dieta, controle de traços dos alergênicos dentro e fora de casa, para manter a nossa sanidade e o convívio social do Pedro tentamos participar de tudo, viagens, passeios, festinhas…claro que ir a uma pizzaria num sábado à  noite está fora de questão, porém ele não fica sem a pizza dele, fazemos em casa….e sempre, sempre, em qualquer lugar onde o Pedro esteja, está também a sua “marmita”, uma bolsa térmica com tudo o que ele pode e gosta de comer, o tamanho da bolsa muda conforme a rotina do dia, se vamos passar o dia fora ou só uma tarde na casa de alguém ou em algum lugar….agora imaginem o tamanho dessa bolsa pra uma viagem de dias….tem que  ser mãe caracol, sair com a casa nas costas rsrsrsrs

A alimentação do Pedro é muito saudável, e consequentemente a nossa também, porque procuro fazer refeições iguais, sem ter que separar o dele, então faço para todos, faço muitas coisas em casa, tenho dificuldades com os produtos industrializados a maioria não contém no rotulo todos os alergênicos, por isso estamos apoiando a campanha #poenorotulo, são mães que se uniram para lutar por informações claras nos rótulos dos alimentos, transformar a rotulagem de alérgenos uma realidade, um rótulo claro e correto é bom pra todos, isso inclui também os diabéticos, os celíacos, as gestantes, pessoas com pressão e colesterol altos.

Em 5 anos, passamos por altos e baixos, momentos extremamente delicados, a vontade era de sumir num simples passe de mágica…hoje mais conscientes, mais informados, mais atentos, vamos seguindo, fazendo tudo o que está ao nosso alcance para que o Pedro fique bem, sem sintomas, esteja saudável e possa acima de tudo ser uma criança feliz, ser criança apenas….seguimos esperando a cura, já não nós apegamos a datas para isso, porém esse é o objetivo, a cura pra ele e pra todas as crianças na mesma situação!

Eu pedi muito a Deus, e ele me mandou um outro anjo….agradeço pelo filho abençoado que tenho e sempre digo: Quem tem amor tem tudo!
Família Campos, a família do Pedro Henrique!

3 comentários

  1. Geovana disse: em 21.09.2015

    Passei e venho passando por algo parecido. Meu filho, perto de completar 01 ano, ficou internado por 05 dias por conta da alergia e ninguém suspendeu o leite da dieta. Muito tempo depois, ao apresentar diarreia, a pediatra trocou o leite de vaca por soja e tudo foi melhorando. Amigos me alertaram sobre a probabilidade de alergia à soja, então suspendi tudo e hoje uso leite do coco, aveia, água. Não é fácil conviver com alergias num país onde os rótulos não dizem o que deveriam. #poenorotulo.

    1. Gabriela Gama respondeu: em 21.09.2015

      Geovana, vc tem um pediatra alergista ou um gastro pediatra para acompanhar? A Mãe do PEdro Henrique já passou por bons e ruins e poderia lhe indicar! Abraços!

  2. Leticia disse: em 09.12.2016

    Boa Noite
    Estou lendo minha vida até aonde diz a soja mas ainda reage e já nem sei mas o que fazer aff

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