O parto cesárea do meu filho

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parto cesáreaPedro nasceu com 37 semanas, numa sexta feira linda de sol. Foi o dia mais emocionante da minha vida, impossível descrever os sentimentos e tudo o que se vive neste dia. É uma mistura de amor, orgulho, medo, ansiedade e tantas outras coisas, que nem sei se dá pra termos a real noção de que a vida a partir de agora mudará para sempre.

Como já disse em outros depoimentos, o Pedro não nasceu quando teve vontade, nasceu no dia em que eu carinhosamente escolhi pra ele. Desde sempre eu sabia que não queria um parto normal, acho que mais por medo e ignorância sobre este assunto do qualquer outra coisa. Esta vontade sempre sempre foi sabida pelo meu marido e pela minha médica, que respeitou minha decisão e com toda a presteza, me explicou todos os tipos de parto e o que pensava deles. Eu adoro ela justamente pelas longas conversas e a segurança com que saio a cada consulta de lá, além de carregada de informações.
Voltando ao parto do Pedro, adiantei uns dias para que ele não nascesse no Natal. Fiquei pensando que ele não teria festinha na escola, ganharia apenas um presente, afinal a data do aniversário e do Natal seria a mesma.
Tive pré eclâmpsia com 28 semanas, e mesmo que tivesse pensado em parto normal, eu teria de desistir da ideia, mas no meu caso não fez diferença, a cesárea já estava programada. Apesar de ter tido uma gestação tranquila a partir das 28 semanas eu mais parecia um pão fermentado do que de fato uma gestante. Algumas pessoas faziam cara de dó quando olhavam pro meu pé! Decidi que o Pedro nasceria quando completasse exatamente 37 semanas. Minha médica me orientou com bastante clareza o que significava tal decisão.
Ainda sem saber o que é ter um filho fora da barriga, não dei muita importância ao tempo em que o Pedro gostaria de nascer. Eu não soube respeitar este tempo e assim que ele nasceu eu percebi isso. Foi duro ver meu pequeno por poucos minutos e logo depois vê-lo indo para UTI por conta de um desconforto respiratório. Ouvir da Pediatra neonatal que ele não estava pronto pra nascer me fez sentir a pior mãe do mundo.
O que me conforta é que este desconforto não causa sequelas ou prejuízos no desenvolvimento de um bebê. Entre o nascimento e a ida do Pedro pra UTI, todos os sentimentos, arrependimentos e medos angustiaram meu coração. Passei o dia vendo o pai do Pedro desesperado com a situação, enquanto eu tentava digerir tudo o que estava acontecendo. Foi um dia e tanto.
Consegui rever meu filho tarde da noite e rapidamente. eu estava bem debilitada da recente cirurgia e parecia estar um tanto desligada do mundo. Quando finalmente cheguei na UTI, a enfermeira estava preparando a primeira mamadeira para saber se o meu filho estava preparado para sugar. Fiquei calada, apenas observando a situação. Hoje. como defensora da amamentação jamais deixaria aquela mamadeira ser dada ao meu filho. Teria feito o impossível para tentar amamenta-lo, mesmo sabendo das dificuldades de fazer um bebê sugar corretamente com uma sonda na boca.
Sempre que olho as fotos dele na UTI eu fico triste, guardo apenas para registro, mas é um momento que eu gostaria que não tivesse existido. Foram muitas idas e vindas à UTI nas 36 horas em que ele esteve por lá. Um pouco antes dele ser liberado consegui amamenta-lo pela primeira vez. Pode parecer meio frio, mas não foi emocionante como eu imaginei que seria, mas certamente jamais esquecerei este momento.
Pedro chegou fofo e miudinho no quarto, pronto para receber visitas e curtir o colo do papai, da mamãe, da vovó e quem mais estivesse por lá. Nunca tive frescuras com essa coisa de pegar no colo, mexer na mãozinha ou algo do tipo. Nos primeiros dias, eu me sentia ótima e nem me lembrava direito que havia passado por uma cesárea.
Me senti a mulher mais sortuda do mundo por ter um recém nascido que dormia a noite inteira. Descobri no dia da alta que ele tinha perdido muito peso e provavelmente não teve forças para chorar. Eu não sabia se xingava o médico ou se chamada o responsável da área de enfermagem para reclamar da falta de orientação. Tudo que aquelas simpáticas moças faziam no quarto era trocar a fralda e olhar se ele tinha feito xixi. 2 dias sem xixi não era o suficiente para perguntar se eu estava amamentando ou se tinha algum tipo de dificuldade? Achei muita incompetência para uma maternidade tão famosa. Eu realmente não sabia que deveria oferecer o peito mesmo sem meu filho solicitar. Por conta desta falta de atenção da enfermagem ficamos mais um dia no hospital.
Assim que o pediatra passou lá e me explicou tudo isso, passei a deixar o Pedro pendurado no peito. Parecia que quanto mais ele mamava, mais ele conseguia chorar para avisar que ainda estava com fome. Me lembro de ter tentado fazer xixi umas duas vezes, mas fui interrompida pelo marido que também não sabia o que fazer com aquele choro. Tirei as ultimas fotos no hospital com cabelo mais ou menos penteado, com a roupa vomitada e de meio banho tomado, a tranqüilidade dos 2 primeiros dias tinha virado um verdadeiro pesadelo. Depois de tanto senta levanta, corre pra lá e pra cá, lembrei que estava toda costurada, mas sem dor por conta das fortes medicações que me foram prescritas. Se eu soubesse como seria o dia seguinte, não teria levantado nem para tentar fazer xixi, quem dirá tomar banho.
Chegamos em casa e por sorte minha mãe estava lá, radiante com o primeiro neto e com toda a disposição de cuidar dele. Eu aproveitei pra descansar enquanto podia.
Lembrei novamente da cesárea assim que tentei deitar de lado e tudo que estava dentro da barriga resolveu cair para este lado. Foi uma das piores sensações que tive depois de um pós operatório. Sofri com isso por mais ou menos uns 20 dias, até que me livrei do desconforto completamente. Não posso reclamar da cesárea em si. Embora muita gente tenha falado horrores da recuperação, garanto que minha apendicite foi bem pior.
Me arrependo por ter determinado o dia do nascimento do meu filho, mas não me arrependo por ter escolhido desde sempre a cesárea. Embora muitas mães me condenem por isso, este foi o parto que me fez sentir segura e tranqüila. Ninguém é mais ou menos mãe pelo tipo de parto escolhido, assim como ninguém é mais ou menos mãe porque não conseguiu amamentar.
Devemos considerar o parto como um milagre, o início de uma vida. Celebrar este acontecimento é o que há de mais importante.

3 comentários

  1. R-D ANGEL O disse: em 15.09.2013

    É Gabi, tudo é muito novo, desconhecido e difícil… mas o melhor é que somos fortes e enfrentamos! Meu parto também teve algumas intercorrências, do tipo a anestesia não pegou e eu fui sedada com a geral logo o Enrico nasceu sedado também… resultado fui conhece-lo apenas 8h depois 🙁 mas graças a Deus eu e ele estávamos ótimos e dai seguimos tranquilos para uma vida normal… bjs ADORAMOS SEUS POSTS

  2. admin disse: em 16.09.2013

    Cada parto tem sua particularidade né Pri! O importante é nos sentirmos seguras e bem amparadas! Bjks

  3. Luciana Primante disse: em 26.02.2014

    Parabéns pelo seu filho! Poucas mães tem coragem de contar sua história sem medo de serem julgadas…
    Nós temos o direito a informação e de tomarmos nossas próprias decisões sobre o que achamos que é melhor para nós e nossos filhos!
    Eu optei por um parto normal, queria que meu filho escolhesse qnd estivesse pronto, mesmo tendo passado por uma internação com 31 semanas qnd tive que inibir um parto prematuro. No final deu tudo certo e ele escolheu nascer com 37 semanas e não precisou ficar na uti!
    Vc já ouvi falar do projeto Mãe canguru? Talvez tivesse te ajudado a ter mais sucesso no início da amamentação…
    Bjs

    Tbm tenho um blog sobre maternidade, se quiser dar uma olhada http://www.meninasplugadas.com.br

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