Toxoplasmose e a gestação

Categorias: Saúde
Além de mãe do Pedro, também sou mãe da Domitila e do Paçoca, dois gatos persas mega fofos e dengosos que vivem comigo a mais de 5 anos. Assim que engravidei, passei a ouvir constantemente que teria de doar meus gatos porque senão eu com certeza teria toxoplasmose.
Doar os gatos jamais foi uma possibilidade. Meu marido vive dizendo que é melhor ele não me mandar escolher entre ele e os gatos, pq com certeza os gatos ficam e ele sai…. sem exageros é quase isso, rsrsrsrs.
Minha obstetra que é bastante atualizada também se mostrou muito preocupada com o fato de eu ter gatos em casa. Independente do meu planejamento de ser mãe ou não, assim que meus gatos chegaram eu fiz diversos exames para saber se estavam bem e se eram de fato saudáveis, entre eles, a sorologia de toxo. Resultado negativo para os dois!
Mesmo explicando para as pessoas que meus gatos não tinham Toxoplasmose, muitos desinformados me diziam que era perigoso e que deveria ter muito cuidado com os gatos e não mexer neles durante toda a gravidez, mas que pensando no futuro, seria melhor doar os dois logo, afinal eles também fariam mal para o bebê (vou escrever sobre esta adaptação em outro post).
Na página do Facebook da veterinária dos meus gatos que é especialista em felinos, achei um texto bem interessante sobre este tema e gostaria de compartilhar.
toxoplasmose e gestação

Pedro e Paçoca

TOXOPLASMOSE:
 
O MAIOR PERIGO ESTÁ ONDE VOCÊ NEM IMAGINA
dra. Claudia Batistella Scaf 
 
A toxoplasmose é uma zoonose, (doença transmitida dos animais aos homens) causada por um protozoário chamado Toxoplasma gondii.
 
Infelizmente, não faz parte da rotina médica o atendimento de zoonoses, mas para nós, médicos veterinários, é muito comum.
 
Nós lutamos todos os dias para derrubar o mito de que o gato é grande vilão da toxoplasmose; queremos mostrar à população como realmente acontece a transmissão. Realmente, não se pode negar, o Toxoplasma Gondii é um protozoário que tem seu ciclo de vida em diversos carnívoros, mas somente no felino ele é capaz de completá-lo e infestar o meio ambiente.
 
Mas há um caminho longo e cheio de barreiras para que uma pessoa adquira a doença diretamente do injustiçado gato.
 
Em primeiro lugar, não são todos os felinos que tem predisposição para fazer a doença, mas somente aqueles que ingerem carne crua ou mal assada ou que são caçadores (baratas, ratos,etc.).
 
Para que ocorra transmissão para o gato, é necessário que o este coma a carne que contenha os cistos do toxoplasma.
 
Na maioria, são animais que tem acesso à rua e que estão com seu sistema imune comprometido.
 
Estima-se que apenas 1%-UM EM CEM!- da população felina albergue o protozoário.
 
Em segundo lugar, o gato, se estiver contaminado, só elimina o parasito nas fezes durante 15 dias e apenas uma vez em toda a sua vida. Geralmente esta eliminação ocorre 10 dias após ter se infectado.
 
Em terceiro lugar, para ocorrer a contaminação de pessoas a partir das fezes do gato, é necessário que estas fezes fiquem no ambiente por, NO MÍNIMO, 48 horas, e que depois sejam ingeridas ; caso contrário, o ciclo não se completa!
 
Os gatos possuem o hábito de limpar-se, não deixando restos de fezes na pelagem, e enterram seus excrementos. Porém, mesmo que não se limpem, já há estudos mostrando que não há viabilidade de infecção caso hajam fezes grudadas no pêlo do animal.
 
A possibilidade de contaminação do proprietário do gato pelo próprio gato é mínima ou inexistente.
 
Acariciar um gato e tê-lo como animal de companhia não representa perigo. Mordidas ou arranhões do gato também não transmitem toxoplasmose.
 
O mais comum é que a doença seja adquirida via ingestão de carnes mal cozidas, e também pela ingestão de verduras e legumes mal lavados e falta de higienização das mãos após o manuseio com terra.
 
Tendo em vista o supracitado, é por isso que há um alto índice de toxoplasmose em Portugal, pelo alto consumo de embutidos (leia-se sem cozimento), e também em Erechim, que é o lugar com maior índice de toxoplasmose no planeta, pelo alto consumo de carne suína mal cozida.
 
Ademais, somente pessoas imunodeficientes ou as mulheres grávidas que nunca tiveram contato com o parasito (leia-se sem formação de anticorpos) formam o grupo de risco.
 
Se fizermos sorologia numa determinada população, a maioria será positiva para toxoplasmose,
não pelo fato de terem a doença, mas sim porque, em algum momento da vida, houve contato com o cisto do parasito e o corpo produziu anticorpos, e estes anticorpos permanecem para o resto da vida.
 
Portanto, que fique bem claro que beijar, abraçar, dormir com gatos NÃO LEVA À TRANSMISSÃO DA TOXOPLASMOSE!
 
A prevenção da toxoplasmose se dá com boas práticas de higiene, tais como limpar a caixa de areia dos felinos diariamente, não ingerir alimentos crus ou mal-cozidos sem prévio congelamento por 48 horas, não ingerir leite in natura e embutidos não fiscalizados, limpar cuidadosamente qualquer material que entre em contato com carnes cruas, e fazer uso de luvas ao realizar jardinagem.
 
Além disso, evite que seu gato tenha acesso á rua e, é claro, o animal deve ser vacinado, desverminado e examinado regularmente por um médico veterinário para que se evite qualquer doença.
Na dúvida?
Faça uma sorologia, sua e do seu felino, para toxoplasmose.
E por favor, não abandone seu animal de estimação!

2 comentários

  1. Kátia Ignácio disse: em 22.07.2013

    Owwww lindinhos!!!! Parabéns mamãe! Você está se saindo muito bem!!!!

  2. Aline da Silva disse: em 29.07.2013

    Seus gatos são uma graça. Ainda bem que você é uma pessoa informada e não se deixou levar por esses "conselhos" absurdos. Uma mulher do meu trabalho deu um escândalo quando soube que engravidei, porque ela sabe que amo gatos e cismou que eu tinha que doar, abandonar, jogar no lixo, qualquer coisa. E eu simplesmente a deixei falando sozinha, pois quem não quer dialogar e sim impor uma opinião (nesse caso totalmente equivocada) não me acrescenta em nada. Eu amo gatos, mas não gosto de dormir com eles, nem que fiquem na minha cama e etc. Agora na gravidez não seria diferente. Eu hein, cada ideia. Que tal jogar o filho mais velho fora porque o segundo vai chegar e eles podem não se adaptar?!

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